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A Fogueira

Quinta-feira, 25.06.09

Conta uma velha história que seis homens ficaram presos numa montanha devido a uma avalanche de neve. Embora tivessem pedido socorro, só seria possível o socorro chegar ao amanhecer. Cada um deles arranjou um pouco de lenha para alimentar uma fogueira comunitária onde se aqueceriam , o que lhes permitiria sobreviver. Se o fogo se apagasse todos morreriam antes da chegada do socorro e todos sabiam disso. Chegou a hora de cada um colocar a sua lenha na fogueira e assim alimentar as chamas. Um deles era profundamente racista. Ele olhou para os homens que estavam presos com ele e reparou que um era negro. E no seu intimo decidiu que jamais daria a sua lenha para aquecer um negro. E guardou a lenha para que ninguém a visse. O segundo homem era muito rico e também muito avarento. Olhou os homens que o rodeavam e viu num deles traços profundos de pobreza. Ele sentiu-se incomodado e pensou que não andaria a apanhar lenha para aquecer pessoas de condição inferior e também a escondeu. O terceiro homem era negro e sentia raiva por estar no meio de brancos que detestava. E pensou que jamais daria a sua lenha para salvar uma raça que tinha oprimido o seu povo. E guardou a sua lenha bem escondida. O quarto homem era o pobre lenhador que trabalhava na montanha e ele mais que todos conhecia os perigos da neve e da morte causada pelo frio. E pensou que talvez o socorro não chegasse ao amanhecer e ele precisasse guardar a lenha para sobreviver. E por isso escondeu-a. O quinto homem era um sonhador. Ele estava tão perdido no seu mundo interior quem nem por um momento lhe ocorreu oferecer a lenha para alimentar o fogo. O sexto homem era rude. Viam-se nos calos das mãos e nas rugas do rosto o quanto a sua vida era de trabalho e dificuldades. O seu raciocínio era rudimentar e pensou que uma lenha que lhe tinha dado tanto trabalho a arranjar , ele não daria a ninguém e portanto escondeu-a também. Mergulhados nos seus pensamentos os homens permaneceram quietos em frente as brasas que morriam lentamente, até que a ultima brasa se transformou em cinza e apagou-se.

No dia seguinte quando os socorristas chegaram , viram nessa caverna os corpos congelados de seis homens.  por trás de cada um , meio escondido , uma porção de lenha. Olhando aquele quadro de pobreza humana no seu mais inferior patamar , um dos socorristas disse , que aquelas mortes tinham sido provocadas pelo frio interior e não pelo exterior. Não podemos permitir que o frio que vem de dentro mate a vida que há em nós. O nosso coração deverá ser chama que aqueça todos os que nos rodeiam. Devemos conservar no nosso coração brasas de carinho e alimentar a chama com a esperança e o amor. Devemos contribuir com o nosso pedaço de lenha para alimentar a fogueira do entendimento universal.

 

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Escrito por Gonçalo de Assis às 16:11


2 comentários

De valquiria a 25.06.2009 às 22:32

Boa noite Gonçalo!!!
LIndo seu texto.Espero que muitos que lerem sua texto,consevarem seus coraçãoes em brasas de carinho e alimentar a chama da esperança e do amor.Enfim.muita gente deveria aquecer o coração e lembrar dos outros,todos merecem amor ,carinho e respeito.Lembrar que não vivemos só mundo.
Beijos com carinho

De Teresa Augusto Shanor a 26.06.2009 às 00:13

Boa noite, Gonçalo!

Este texto reflexivo, de uma grande profundidade, nos convida a viver a vida plenamente, onde tudo o que se faz, seja feito sempre com o coração, partilhando cada momento, bons ou maus, com todos, como numa grande família universal.

Saúde e Paz sempre!
Beijos no seu coração.

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