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Confissão de amor eterno

Domingo, 18.04.10
Existem tantas coisas que deixo de te dizer , meu amor. E há tantas palavras que o meu coração te grita no silêncio das nossas horas.
Apesar da minha profissão , falar nunca foi de facto o meu forte e agora menos ainda , sei que vais retorquir que é passageiro , eu direi que sim , talvez , mas é real.
Algumas vezes perguntas-me coisas que me obrigam a entender quem sou  e isso assusta-me.
Porque meu amor eu não sei ao certo quem sou, e daquilo que sei , jamais ouso dizer-to em palavras, e sempre evitei que os teus olhos reflectissem as minhas lágrimas.
Apenas quis aquecer nas tuas mãos sempre seguras , as minhas mãos tão frias que tremiam.
Tantas vezes me refugio sozinho no sótão vazio da minha alma torturada, fazendo o que sempre acabo por fazer , fechando-me em mim mesmo, mesmo sabendo que é nas tuas palavras que encontro o meu rumo.
Tantas vezes fico calado , apenas por medo, e só tu sabes as tempestades que já passamos juntos, que enfrentei e venci graças a ti.
Tantas vezes me disseste que não me cale, que fale contigo , porque juntos vencemos tudo , mas às vezes amor , preciso das tréguas do silêncio.
O silêncio desde sempre foi um retiro onde me refugio e onde procuro perceber e corrigir os meus erros.
Às vezes vou para a janela e sinto o carinho da noite que mora lá fora e nessa hora , muitas dúvidas invadem-me. As dúvidas de quem quer sempre acertar sem ter como o fazer.
A minha tensão denuncia-se por gestos demasiado rápidos e incertos e como sempre notas que estou nervoso.
Perguntas porquê , mas escondo-me no forte inviolável do meu silêncio.
Não te sei mentir , embora já o tenha tentado , e quando me perguntas o que procuro nos meus longos silêncios , nos labirintos da minha alma , eu desvio a tua atenção com um sorriso , um dito mordaz, e um olhar forçadamente neutro e mudo de assunto o mais rápido possível.
E no tempo curto que dura a tua pergunta , todos os erros passados me ocorrem , como fantasmas , e fixo na minha mente um pensamento sólido a que me agarrar.
As minhas mãos mais trémulas , mais frias , procuram um apoio seguro e disfarço.
E perco-me , imerso na resposta que não te dou.
E fico à espera que vejas o homem imperfeito que se esconde por trás da perfeição que para mim criaste, e que eu sem querer talvez e tenha ajudado a criar.
Tantas vezes anulaste a tua própria vontade para me veres sorrir, tantas vezes escondes de mim a lágrima e afivelas um sorriso , ao qual já me habituei e que de forma egoísta já exijo.
Lutas contra os meus medos com as tuas absolutas certezas.
Recomeçaste comigo uma vida salva à custa de tanta dor.
Acreditas mesmo nas tuas absolutas certezas , amor?
Às vezes grito com uma dor que vem do mais íntimo de mim , uma dor que é cansaço , que é o desejo de abrir asas , de voar.
E és tu que adoças a angústia desses gritos e me fazes voltar a colocar os pés no mesmo chão que pisas.
Não sei porque ainda tento encontrar o que de mim não é visível, às vezes sinto que me duplico na certeza de uma outra vida, mas cujas lembranças são incongruentes , como se existissem verdades esquecidas a pulsar nas minhas veias , e uma vontade enorme de explicar esta vida que quis viver.
Às vezes sinto como se carregasse o coração e a alma de vidas para vidas , sei que não faz sentido , que é loucura , porque não vejo.
Mas será que tudo que é visível tem que ser verdadeiro?
E nem sempre é preciso ter respostas para tudo para ser feliz.
Às vezes é a intuição de outras vidas presentes em mim , numa névoa que não ultrapasso , que me leva a acreditar que o que de melhor tenho em mim , são estas eternas dúvidas que me fazem questionar o que sou e me levam a procurar o melhor do que posso ser.
E o melhor do meu presente , és tu meu amor , porque eu sinto-me parte de ti e juntos somos um todo , e cada pedaço do amor que te dou é arrancado do amor que de ti recebo.
Amo-te infinitamente...

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Escrito por Gonçalo de Assis às 22:41


4 comentários

De Maria Manuel Batista a 19.04.2010 às 22:50

Amo todos os teus textos, amor, mesmo aqueles com que não concordo. E este texto é diferente, e amo-o especialmente. Tento respeitar os teus silêncios, embora corra o risco de por vezes invadir a tua quietude. Mas na verdade, compreendo-os. Creio que ambos temos crescido um pouco, ou pelo menos quero acreditar que sim...E sabes, amor, quero que saibas que mesmo quando te refugias, estou por perto, ao alcance de um olhar, de uma emoção que sem querer deixas escapar. E no meu silêncio acarinho-te, acolho-te no meu coração e deixo que a minha alma, de mansinho, te ame livremente. Amo-te infinitamente, meu amor...


 

De Gonçalo De Assis a 19.04.2010 às 23:35

Há emoções que nem muitas palavras conseguem descrever.
Então reduz-se a um obrigado dito com a alma em que tudo cabe.
Tu sabes o que fica por dizer e entendes tudo o que te digo com a cumplicidade que só o amor concede.
Assim sendo , fica apenas , um grande obrigado meu amor.

De valquiria a 20.04.2010 às 11:56

Bom dia Gonçalo e Maria!!!Lindo seu texto querido,lendo o comentario seu e da Maria.Posso dizer a vocês que é mais uma  que uma confissão de amor!È a melhor confissão de amor de vocês.A Maria tem uma alma maravilhosa ,um ser de uma pureza linda.Você Gonçalo,nem preciso falar porque todos sabem que você é maravilhoso também.
Beijos com carino

De valquiria a 20.04.2010 às 12:20

Bom dia Gonçalo!!!Lendo com atenção seu texto sobre o silêncio,tentarei expor o que eu acho.Nós somos imortais submetidos as leis universais,e uma delas é justamente a Lei da reencarnação.Esta foi ortografada pelo criador para que o espirito imortal possa evoluir apredendo com inumeras dificuldades da vida material ou fisica.No mundo espiritual nós aprendemos a parte teorica e no mundo fisico apredendemos  a parte prática.O objetivo deste aprendizado todo é a evolução espiritual uma vez que todos somos  espirito imortais.Quando nos tornaremos perfeitos??? Quando colocarmos em prática aquele ensinamento que Jesus nos recomenda que é " Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo".Enfim,eu sei  que entre a terra eo cèu muitas coisas  que estão a frente da compreenssão humana...sei que nada é por acaso tão menos que tudo tenha surgido do nada  e será  que um dia tudo acabará?Deixo este ponto de interrogação a minha pergunta querido.
Gonçalo,você é perfeito sim,porque o ensinamento que Jesus nos recomenda que é "Amar  A Deus  sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo".Querido você faz este ensinamento com muita perfeição.
Beijos com carinho ^a Maria e a você.

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