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Em homenagem às vitimas das Torres Gémeas

Sexta-feira, 09.09.11
Em homenagem a todos quantos perderam a vida naquela fatídica manhã de 11 de Setembro e aproveitando para relembrar os 5 Portugueses que lá faleceram também . Dois que trabalhavam nos edifícios atingidos e os restantes três na tentativa de socorrer os atingidos . Eu estava a 3 quilómetros dali , num outro edifício de escritórios e depois da primeira explosão que abalou o local onde me encontrava , fui até lá sem saber ainda o que tinha acontecido . Foi a maior tragédia humana a que assisti , foi a primeira vez na vida que senti medo pelo ódio e a ambição de um homem e terror pelo que se desenrolava perante o meu olhar . As imagens que chegaram à imprensa não mostram uma centésima parte daqueles momentos de incredulidade , de pânico e impotência . As imagens que circularam foram censuradas , porque o próprio publico reagiu mal à divulgação de imagens mais fortes , como se esconder a cabeça em baixo da areia apagasse aqueles momentos . Deixo um pequeno poema em memória de quem ali perdeu a vida tão inutilmente numa guerra que estava muito longe de ser a deles . Que Deus os tenha na sua Santa Luz e que continue amparando as famílias que perderam inutilmente , estupidamente , os entes que amavam . Que pesem eternamente na consciência de quem de direito , os filhos que crescem sem pais , as viúvas que perderam os maridos , os maridos que perderam as esposas , as famílias que perderam filhos , irmãos , sobrinhos , netos , primos e amigos ...
                                                                      
                                                                          *** 
 
O fim da Inocência
 
Eu tinha algum pavor da escuridão
até que naquele dia
os meus olhos mergulharam numa súbita noite de poeira , gritos , sangue
 
Eu tinha pavor de ver sangue
até que me vi rodeado de pessoas feridas
de pele arrancada
de impotência e de dor
 
Eu tinha pavor de estar ao lado de um morto
até àquele dia
em que choviam das janelas corpos que se esmagavam no chão
e jaziam sem vida
 
Eu nunca tinha parado para pensar nos bombeiros
até que os vi ali
tentando ajudar
perdendo a própria vida
 
Eu não sabia o alcance da vileza humana
até àquele dia
em que vi mortes inocentes
por motivos tão obscuros
 
Eu dava valor aos meus casacos de marca
até ao dia em que rasguei um em tiras
para tentar que ferimentos abertos
parassem de perder sangue
 
Eu seleccionava criteriosamente os meus amigos
até esse dia
em que me senti amigo de todos os que ali jaziam
e daria tudo para os poder salvar
 
Eu era meio racista
até esse dia
em que brancos e negros lutavam a par
e sofriam a par
 
Eu achava que já tinha sofrido muito
até ver aquela dor impossível de descrever
tão grande
que nenhum coração era forte o suficiente para a conter
 
Eu olhava para os cães como amigos ternos
até ao dia que os vi escavarem a terra
tentando localizar feridos
e passei a olhá-los como heróis
 
Eu achava que os idosos já não podiam fazer nada
até que vi um antigo comandante dos bombeiros , reformado
entrar destemidamente na torre em chamas
tentando localizar os homens do seu antigo quartel
 
Eu não sabia nesse dia
como ajudar aquelas pessoas
até ver familiares desesperados no perímetro de segurança
e entendi como era importante nessa hora um abraço
 
Eu achava a minha casa imponente e indestrutível
até nesse dia constatar
que perante a loucura e a ganância
nada é invencível
 
Eu tinha a ideia de que podia muito
até me dar conta
que ali , naquela tragédia imensa
eu não podia nada
 
Eu acreditava na lealdade , na consciência humana
no sentido de honra
e agora já não sei se ainda acredito
mas nada será como antes
 
E sobre os escombros e a nuvem de pó que me sufocava
apareceu a pouco e pouco o sol
lembrando que a vida ainda estava ali
e era hora de começar de novo
 
Pelo menos para mim foi hora de perder as lentes douradas
de abrir os olhos e ver como nunca tinha visto
pode não ter servido de muito
mas uma verdade suprema teve vida dentro de mim
 
QUE DEUS ILUMINE TODOS! 
 

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Escrito por Gonçalo de Assis às 19:30


1 comentário

De valquiria a 09.09.2011 às 22:26

Boa noite Gonçalo!!Fquei presa ao seu relato, aos detalhes da sua história no meio da terrível história.
Parabéns pelo belo texto e poema apesar das circunstâncias. O mundo parecia ruir com aquelas torres.A parte ruim dessa historia, é o fato de que muitos inocentes perderam suas vidas, por conta da ambição
Todos nós ainda presos a esse sentimento de dor e perda, de certeza da insegurança, da inexistência de fronteiras e barreiras para o mal e da nossa insignificância diante dele.
Beijos com carinho!!!

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