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A OUTRA FACE DE MIM...

Quinta-feira, 08.05.08

Não existe esperança quando a madrugada morre

nos braços do dia que não nasce

não existe luz, nas trevas de uma noite longa

no entardecer frio de uma alma triste

não vejo a luz do luar desde que me perdi nas trevas

de um inferno infindo onde não há lugar a sol

a sonho e cantar de pássaros

ao murmurar de fontes  , aos hinos dos rouxinóis

anunciando o amanhecer

Não existe sonho, quando a poesia morre

nuns lábios que já não a sabem dizer

que se fecham perante o sabor a cinza

que lhes cobre a língua morta

Não existe risos , quando o seu eco é lembrança vã

de dias de sol , de manhãs felizes

de momentos em que  acreditamos nas mentiras

nas fantasias cantadas na noite, por um poeta louco

não existe alegria , nas flores que murcharam por falta de carinho

num canteiro qualquer que o jardineiro esqueceu

e deixou de regar

Não existe beleza numa face parada

onde o sorriso perdeu a magia

e as lágrimas caem soltas sem saber porquê

ou mesmo conhecendo o motivo

Não existe encanto na rosa rubra de sangue

que cai do peito lacerado de quem a oferece

como ultima dádiva da vida que se esvai

Não existe felicidade num mundo parado

onde os pássaros não voam

o vento não entoa o seu fado doce

e a chuva apenas chora a dor

de lágrimas que ninguém vê

que deslizam em silêncio numa face tão cansada

Não existe amanhã

quando o hoje nos encerra e abafa

numa armadilha que se fecha

que nos tortura

que não deixa que as nossas asas se soltem

e cruzemos o firmamento em busca de estrelas

Cai a vida morta nas mãos que estendo

a minha boca que emudeceu não canta mais

sonetos de esperança

Os meus olhos cansados não sonham mais

com o raiar do dia

as minhas mãos frias não agarram mais

o calor de uma lembrança

morri de muitas maneiras

deixei de sentir o sangue quente nas veias

tornei-me a sombra da sombra do que fui

o palhaço triste num palco vazio

num teatro que cai, sem plateia

sou apenas eu, cansado , indefeso

entregue à noite que não é mais cúmplice

que não me acolhe em seu seio

Sou apenas uma folha morta

que tem a vida breve que lhe concede o vento

quando na sua queda

a brisa a ampara e a faz rodopiar

em seu ultimo bailado

bailado de morte , mas repleto de encanto

sou lago parado, navio naufragado

caminho sem saída , estatua de gelo

pequeno cisne num lago inventado

que solta à indiferente noite, o seu ultimo canto

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Escrito por Gonçalo de Assis às 07:20


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