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Perde-se

Segunda-feira, 19.05.08

 

 Agarramos a vida num sonho

num sonho que se perde

como o mar que se estilhaça na rocha

e espalha as suas lágrimas salgadas

pelo corpo sensual da areia

Vive-se um sonho que dura o tempo de um arco-íris

efémero e belo

belo como tudo que é sublime

e por ser sublime é inatingível

Agarra-se um sonho na vida

por um momento eterno

até que o vento da desesperança

o tira da nossa mão

como rajada de vento

que rouba o balão a uma criança

Quietos e impotentes

vemos que parte

para um destino incerto

que nunca será a nossa mão

Perdemos o sonho da vida

quando descobrimos tão cedo

que é impossível sonhar

porque o sonho morre

na falta do gesto que o faria viver

morre no segredo

da sua alma fria

que não se aqueceu no sol da verdade

perde-se o sonho e a vida

quando a alma morre

cansada de uma luta inglória

quando a realidade é dura

quando ela surge fria

sem a mentira das palavras doces

sem o bálsamo das juras vazias

sem o aconchego do abraço falso

sem o carinho do colo perdido

e perde-se a vida

que perdeu o sonho

em nome de uma fantasia

que nunca poderá ser vivida

 

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Escrito por Gonçalo de Assis às 21:19


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