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Em Memória do Poeta Tomaz Jorge

Domingo, 26.04.09

 Morreu o Poeta Tomaz Jorge, um amigo pessoal , mas um grande vulto das letras também. Morreu um Poeta e pouco mais há a dizer.

Não me apetece tecer considerações banais, daquelas que sempre se fazem nestas ocasiões.

Sinto muito a morte do poeta , e sinto igualmente a perda do amigo.

Para manter vivo um poeta que partiu , nada melhor que relembrar aqui a sua obra.

Transcrevo aqui um dos poemas mais conhecidos do Poeta Tomaz Jorge.

 

GAJAJA

Fruto pálido, empaludado…
Cereja dos trópicos
de cor desmaiada.
Luanda:
- onde estão as tuas gajajeiras
que a troco dos seus frutos
pedradas eu lançava,
pedradas que magoavam
- pedradas de criança!
Por certo que foram destroçadas,
sepultadas
em teus alicerces
da Brito Godins
e de todas as Ingombotas,
tal como os frondosos cajueiros.
Vi hoje uma gajajeira já quase morta.
Havia pedras a seu lado,
areia e cimento
e um buraco longo, rodopiando,
fazendo quadrados,
rectângulos, quadrados…
Se a minha fortuna não fosse feita de sonhos,
compraria aquele terreno.
A copa da gajajeira
seria o meu chapéu,
a umbela dos dias quentes
e das noites de luar e de cacimbo.
Luanda:
- onde é que estão as nossas gajajeiras?
Essas gajajeiras que me davam
as gajajas da minha infância
os frutos da minha vadiagem!
Eu atirei pedradas!
Mas tu, Luanda,
o que fizeste delas?

 

Gostaria que no fundo de cada coração se mantivesse a voz de cada poeta que parte.

Para o Poeta Tomaz Jorge um eterno abraço de Saudade e até um dia destes...

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Escrito por Gonçalo de Assis às 18:36


1 comentário

De valquiria a 26.04.2009 às 23:41

Boa noite Gonçalo, esta correto em suas palavras.Tomaz Jorge sempre sera citado
nos manuais que ensinem a história e divulgem a cultura da Angola.
Um grande poeta!!!!
Beijos com carinho

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