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Valorize a vida

Sexta-feira, 22.05.09

Um certo senhor já muito idoso , bastante vergado pelo peso dos anos que já contava, cansado porque transportava um fardo de lenha com um peso grande demais para as suas escassas forças, com as pernas pesadas e os pés feridos pela estrada de terra e pedras que percorria, olhava ao longe a sua choupana que lhe parecia ainda tão distante. Já muito cansado e desanimado , jogou ao chão a carga de lenha e pôs-se a murmurar baixinho:- Mas que vida mais infeliz tem sido esta minha! Desde manhã à noite é só trabalhar para não receber quase nada em troca. Sempre tive muito pouco que comer, a minha mulher é uma chata que não me dá paz e os meus filhos são uns preguiçosos , imprestáveis e desobedientes.Queria tanto morrer . Oh morte onde andas que não me vens buscar!!!

Ouvindo isto, o anjo da morte, resolveu aceder à vontade daquele velho senhor que lhe parecia tão amargurado e tão cansado de viver.

Resolveu aparecer ao idoso senhor e disse:- Ouvi o teu pedido e resolvi satisfazer a tua vontade. Eu sou o anjo da morte e venho buscar-te já que tanto o desejas.

O idoso Senhor ficou muito atrapalhado e muito aflito respondeu:- O Senhor anjo ouviu mal , eu não quero que me leve , só quero que me ajude a colocar nas costas aquele molhito de lenha que deixei cair.

Com um sorriso o negro anjo ajudou-o a colocar a carga nas costas e o senhor saiu dali apressado , parecendo-lhe a carga leve como uma pena. Porque só damos valor à vida  quando estamos na iminência de a perder. Devemos deixar de ver só o lado mau, e valorizar tudo de bom que a vida nos oferece. É uma perda de tempo gastar minutos preciosos em lamentações inúteis. Se a vida é injusta , lutemos para que seja mais justa , mas não percamos tempo com coisas inúteis , porque um dia o anjo da morte virá e não teremos a opção de escolher.

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Escrito por Gonçalo de Assis às 21:57


2 comentários

De Carlos Fernandes Santana a 23.05.2009 às 02:30

Boa noite Dr. É com admiração e agrado que leio os seus textos. O Senhor é um humanista , mas na condição Social que o senhor usufrui é facil sê-lo. Provavelmente o Senhor não me conhece, nem nunca tera reparado em mim. Eu trabalho em Rio de Mouro e algumas vezes vi o Senhor a sair de algum lugar , restaurante , banco, etc. Mas agora pergunto ao Senhor,o Senhor fala que devemos aproveitar a vida. Mas Dr , muitos de nós nada temos para aproveitar. O Senhor passa , alias faz muito que o não vejo , mas quando via , passava no seu carro topo de gama , com vidros escuros atras que nem deixavam ver bem o Senhor. Sei onde o Senhor mora, alias vejo a sua quinta quando passo na estrada para o Cacém , vejo os enormes portões blindados , e os muros altissimos. O Senhor não saberá certamente , mas a unica vez que estive de facto perto do Senhor , foi numa loja de electrodomésticos. Eu estava há duas horas à espera que um funcionário se dignasse atender-me para comprar um cabo para o pc. Quando o Senhor entrou , seguido de dois senhores que pareciam ser seguranças privados , na loja fez-se um silencio. E de repente os empregados ocupados que não tinham tido ainda tempo para atender-me , cercaram o Senhor. O Senhor foi ver Tvs e também o segui à distancia , por curiosidade. E o Senhor pediu com uma voz educadissima- Por favor eu quero uma Tv exactamente igual aquela.
Que os prestimosos empregados foram buscar e levaram para o seu jipe Hoomer e que era um plasma enorme. o maior da loja. Uma coisa que só em sonhos , eu e tantos como eu , podem ter. Eu não invejo que o Senhor tenha, alias sei que o Senhor é uma boa pessoa e que ajuda muita gente. É bom que pessoas como o Senhor possam ter. Mas para dar conselhos , o Senhor teria que viver a vida de todos. Conhecer a realidade dos desempregados , dos idosos , dos reformados. Eu sei que o Senhor não tem culpa , mas o Senhor fala de vida e da vida o Senhor conhece o lado dourado.Se passarmos ao seu portão todos dizem , ali mora o tal americano rico, o que veio do Brasil, e quem passa a minha porta se calhar a olhar vai dizer , aqui mora um anonimo que trabalha de sol a sol e chega ao fim do mês sem nada. É muito dificil o Senhor conhecer a nossa realidade. Falar de amor , de união , é bonito Dr. Eu gosto de ler e concordo com o Senhor. Mas onde não há igualdade não há união. O seu filho sei que estudou anos, agora penso que já esteja na faculdade , num colegio privado onde os pais pagam fortunas. O meu deixou de estudar porque eu já não tinha como pagar livros e almoços. Amanhã o filho do Senhor será um Dr e o meu será igual a mim , um trabalhador braçal, pobre , embora honrado. O que quero dizer com isto é que se o Senhor quer entender a nossa vida , deve vivê-la. Sair do luxo da sua quinta e passear na rua , ver as casas pobres com a roupa estendida na varanda, ver os meninos felizes e sujos que brincam na rua, ver a nossa realidade Dr. Julgar é facil Dr quando se esta do lado certo da vida. Quando podemos tudo o que queremos. Quando só tivemos o melhor de tudo. Desculpe o meu desabafo que em nada retira o valor ao que o Senhor escreve. Os meus respeitosos Cumprimentos.

Carlos Fernandes Santana

De Teresa Augusto Shanor a 23.05.2009 às 04:20

Querido Amigo Gonçalo!!

Infelizmente, muitos de nós, só aprendemos a dar valor às pequenas e simples coisas da vida, quando as perdemos. Isto não depende de sermos ricos ou pobres, pois a essência que mantém a vida, é igual para todos, independente da condição em que se vive.

Muitos pensam que é fácil ser feliz quando se é rico e difícil ser feliz quando se é pobre, materialmente falando.

Pois eu afirmo que, pode-se ser feliz em qualquer situação, rica ou pobre, dependendo apenas da maneira como encaramos a vida.

Eu vim de uma família de imigrantes portugueses, que enriqueceu no pós guerra e fez uma excelente fortuna, mas meu avô, com seu espírito aventureiro, abandonou tudo e saiu pelo mundo com a roupa do corpo e grandes sonhos na cabeça. Construiu sua família , teve 9 filhos e os criou com extrema dificuldade, trabalhando de sol a sol. Era rico e escolheu ser pobre, e na minha infância, nunca o vi reclamar de nada, nem chorar, sempre vivia sorrindo, mascando o seu fumo amargo e com o chicote de peão de boiadeiro nas mãos. Tinha muitos amigos, que o respeitavam, pela sua integridade, pois bastava uma palavra sua para fechar contratos de trabalho. A comida era racionada, as roupas, tinham que secar ao sol a cada banho, para que pudessem vesti-las novamente, pois não haviam outras. A comida, era escassa e dividida de acordo com as necessidades de cada um. Ele nunca agrediu a esposa, nunca foi relapso com seus filhos e nunca teve tempo para passeios ou lazer. Me lembro, que gostava de conversar bastante e todos os dias, quando chegava de mais um dia de trabalho, enquanto esperava minha avó preparar o seu banho, que era feito numa bacia de alumínio, pois não havia chuveiro, ele sentava-se na beirada da cama, suspirava como se estivesse num paraíso e pegava a sua viola e tocava alegremente uma modinha e fazia alegria de nós crianças, que ficávamos a seus pés ouvindo quietinhos. Sua alegria era contagiante. O que ele nos passava, era alegria de viver, mesmo numa vida dura, de penúria.

Posso citar outros exemplos de pessoas que são verdadeiros heróis e que vivem numa alegria invejável , apesar de serem moradores de rua, que vivem do lixo para sustentarem suas famílias, não se entregam ao desânimo, nem à revolta e nem aos vícios para esquecer suas terríveis condições e o mais interessante, é que estas pessoas, que conheço bem, pois vivem perto de onde moro, são robustas, com saúde relativa e uma enorme força para trabalhar. Enfim, são alegres, simpáticos, humanitários, extremamente solidários e conseguem fazer dos limões que colhem da vida, uma bela limonada e são felizes a seu modo. Estes, não terão do que se arrepender nunca, pois tem o controle total de suas vidas, em suas próprias mãos.

Texto reflexivo e muito bem lembrado, pois é regra reclamar-se de tudo e não valorizar-se nada.

Um grande beijo de carinho em teu lindo coração, meu doce amigo.

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