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Quarta-feira, 29.04.15

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 O dia começa lentamente depois de uma noite mal dormida, de um acumular de emoções , sensações e sonhos que se entrelaçam com o passo lento das horas... Amanheço como o sol que se espreguiça por entre nuvens cinza que se espraiam por um firmamento que se mostra azul. Ergo de mim mesmo a preguiça que me tolhe os movimentos, que me quer de volta à noite que terminou. O dia claro chama, ordena, impele para a vida. Abro o cortinados que me separam do mundo exterior e o quarto enche-se de luz. É manhã, uma manhã suave , com um halo de ouro que o preguiçoso sol me deixa adivinhar.  Os pássaros cantam mais um dia , celebram a vida e voam num bailado que me arranca um sorriso. Abro a varanda e deixo que o aroma das flores carregadas ainda de orvalho , chegue até mim e me inebrie. O meu olhar perde-se nos infinitos tons de verde que se multiplicam no jardim e nas cores misteriosas com que as flores se vestem e se expõem aos meus olhos ainda adormecidos. Acordo envolto em beleza , numa beleza que Deus criou e me arrebata , é impossível fechar os olhos e ignorar o quadro vivo que à minha frente se desenha. Os meus olhos sorriem da beleza que se estende perante mim e creio que a felicidade é feita destes momentos de absoluta comunhão com a natureza , com a oferta que Deus fez a todos nós. Saio do quarto e desço as escadas em busca de me embrenhar em todo aquele encanto tão doce e tão simples. No exterior os meus pés pisam silenciosamente as pedrinhas da calçada e o ar fresco da manhã envolve-me num abraço revigorante. Sinto um arrepio que me percorre e me acorda definitivamente . Toco as plantas que se estendem pelo caminho e sento-me na minha cadeira em plena comunhão com o que me rodeia. Fecho os olhos e deixo que a minha mente percorra os acontecimentos marcantes. Com o canto doce dos pássaros , a minha mente encaixa-se e o puzzle em que o sono tornou as memórias, volta a adquirir o contorno normal.Fecho os olhos e mergulho na comunhão delicada que a natureza me transmite. Ouço alguém pousar levemente uma bandeja e nem olho , não quero interromper a paz que me possui. E aqui no seio da natureza, a minha alma emoldura-se, enche-se da paz necessária para mais um dia ...

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Escrito por Gonçalo de Assis às 10:16

Ode à Felicidade

Segunda-feira, 27.04.15

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Devagar a cortina cai e descubro-nos como nunca tinha visto ou sentido. Sem medo as almas cruzam-se, os corpos procuram-se e entendem-se como se sempre tivesse sido assim . O medo sai devagar, mas esfuma-se , perde o sentido , foge para as trevas de onde veio um dia. Sinto-me exposto perante a vontade que me transcende, perante o presente que todos os dias a vida me oferece. Recebo-a num beijo , num afago, na junção dos corpos e das almas. Descubro o que de verdade existe em mim , existe em nós, relaxo no prazer de ser teu , de te sentir minha, de uma maneira intensa , única , como se o teu corpo se abrisse e florisse no momento exacto em que o meu to pede e deseja. Inebrio-me nos sentidos que me envolvem e encontro-te ali , na minha dimensão, no meu desejo, no amplexo que nos une e nos torna um só. Deixo-me percorrer pelas tuas fantasias, pelos teus desejos que partilhas comigo, pelo brilho do teu sorriso e pela intensa luz do teu olhar. Fascina-me a tua infantil causticidade e o pulso com quem me freias e reténs junto de ti. Não reclamo do jugo imposta pelas tuas mãos delicadas , porque não se reclama daquilo que nos faz feliz.  Sem alardes , sem proclamações, completamo-nos , seguimos em frente , num passo seguro que nada mais pára. Sinto-me uma partícula num Cosmo de felicidade e deixo-me vogar nessas ondas que me arrebatam. O pulsar do meu coração tem o compasso da tua voz , o meu passo trava-se no teu ciúme , o meu desejo entrega-se na tua procura. Não encontro pedras na estrada que percorro, sinto-me em paz , numa paz que vem de ti. Da forma segura como aprendeste a reger a minha vida , como freaste os meus impulsos, como me fazes feliz e me obrigas a ser feliz. És luz e junto de ti não há escuridão , nem medo , nem mentira, nem sequer a dor, estendo as minhas mãos para ti e devolves-mas repletas de amor ...Assim se ama

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Escrito por Gonçalo de Assis às 17:34

Obrigado

Quinta-feira, 16.04.15

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 Quero agradecer a todos os amigos que no dia do meu aniversário fizeram questão de estar presentes neste blog para me deixarem aqui palavras de carinho e atenção. Como todos sabem , sou um homem de palavras e as palavras mexem comigo tanto quanto actos. Ou às vezes pior ainda. Porque actos podem ser levianos , filhos de um momento de irresponsabilidade , mas as palavras saem de dentro das nossas próprias emoções. Já sofri muito com palavras e já me trouxeram muita felicidade também. E fiquei feliz ao ver aqui tantas palavras bonitas que eu nem sei se mereço. Muitas vezes tenho duvidas disso, creiam que os meus amigos colocam expectativas a mais sobre aquilo que de facto sou. Costumo cometer os erros mais básicos quando quero muito acertar. Quem me conhece bem , sabe que sou muito atrapalhado. Por querer fazer tudo ao mesmo tempo e a tudo dar atenção, cometo erros de palmatória. Que depois claro , também resolvo. Obrigado por todos os que continuam a depositar em mim o carinho , a amizade e a sinceridade que faz os verdadeiros amigos.

Um grande abraço 

 

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Escrito por Gonçalo de Assis às 01:32

Parabéns meu filho

Sexta-feira, 10.04.15

Eu viagem - Cópia.jpg

 

Hoje o Gonçalo completa mais um ano de vida , que para além da grande alegria que nos dá, pode e deve ser considerada mais uma vitória sobre tudo o que relativamente a problemas de saúde aconteceu. Não posso deixar de me sentir orgulhoso de ter acompanhado a formação de um menino que me chegou aqui com sete anos, com os olhos cheios de perguntas e com um coração nobre que até hoje se mantém. Durante todo este tempo , eu tive o prazer de ver crescer perante os meus olhos , um homem digno, educado, e competente em tudo o que faz. Numa altura em que se perderam valores básicos, encontrar pessoas como o Gonçalo , fazem-nos acreditar que ainda há salvação. Orgulho-me da caminhada feita a par com este ser humano maravilhoso que me chegou menino e hoje é um homem que é um exemplo de integridade e de justiça. Passamos , eu e todos que o amam , valentes sustos nestes últimos anos. Eu muitas vezes me despedi dele no fim de uma visita, sem ter a certeza de que o encontraria vivo no dia seguinte. Acho que todos os familiares e amigos choraram mais que uma vez o medo de o ver partir e algumas vezes ele ficou ali , tão no limiar. Mas em todas elas , o Grande Arquitecto do Universo fez com que ele continuasse entre nós. Talvez porque existem poucas pessoas como ele e de facto nos faça falta o seu exemplo no mundo. É uma pessoa muito especial , que merece a consideração e o carinho sincero de todos. Tenho a certeza de que se houvessem mais Gonçalos no mundo , ele seria bastante melhor. Quero pois deixar-te , meu filho , aqui expresso o meu orgulho por aquilo em que soubeste transformar-te. Do menino de curiosos olhos azuis , que me olhava de uma forma entre a curiosidade e a brincadeira, desabrochou um homem que aprendi a respeitar e a compreender. Não é difícil compreender alguém,cuja alma se mostra por inteiro e cujos actos não desmentem as suas palavras. De um menino travesso, que me fazia as maldades mais inesperadas, amadureceu um homem que respeita os seus valores e tem a capacidade de os ensinar aos outros com a maior simplicidade. Conheço-o tão bem como conheço os meus filhos, porque acompanhei cada um dos seus fracassos , cada uma das suas vitórias, dos seus erros e dos seus acertos. Assisti a amores e desamores , a desgostos e alegrias. És para mim um filho , Gonçalo , um filho do coração tão amado como os filhos de sangue que a vida me deu. Quero pois meu filho, deixar-te um grande abraço e desejar-te um dia muito feliz e que este novo ciclo que hoje se inicia na tua vida seja abençoado pelo Pai e que te conceda todos os teus sonhos e desejos. Sei que nesta fase da tua vida , estas calmo e feliz e desejo profundamente que essa felicidade se mantenha até ao ultimo dos teus dias. Desejo-te um dia repleto de surpresas, de presentes que também fazem parte e de muita alegria e paz. Que o Pai te abençoe meu filho.

Um forte e carinhoso abraço.

TAF

Paulo Ribeiro

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Escrito por Gonçalo de Assis às 08:23

Quando eu Morrer

Quarta-feira, 08.04.15

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Quando eu morrer , não que a morte me preocupe , ou que a procure. Apenas sei que um dia vai acontecer e nesse dia eu não quero ter deixado duvidas daquilo a que vim. Não quero que a morte me apanhe numa curva da estrada, antes que eu termine a estrada que desenhei para mim. Quando eu um dia morrer , quero sentir que vivi , que fui e sobretudo que senti. Quando eu um dia morrer , quero ter tido a oportunidade de ter amado tudo e de ter sido amado, quero sentir que fui útil , que não andei aqui , apenas por ter andado. Quando eu um dia morrer, não quero partir com a dor dos planos inacabados ou dos sonhos para sempre adiados. Quando eu morrer , quero ter a certeza que dei tudo o que tinha para dar e que amei tão plenamente , tão profundamente , como só quem ama sabe amar. Quando eu um dia morrer , quero ter a paz de saber que nada deixei inacabado e que a vida não se perdeu , que a fiz o melhor que soube e fui capaz. Não espero a morte como uma saída de cena , nem a temo como se teme uma inimiga,  quero envolver-me tranquilamente no seu seio, quando for o tempo exacto. Gostaria de partir sem deixar duvidas a ninguém e sem as levar também , gostaria de morrer de alma transparente , sem sombras para ocultar seja o que for que procurem em mim . A minha vida é completa , não tenho medo de viver , nem de me dar, nem sequer de cair e me ferir , porque a vida é assim , ou se vive ou se deixa para lá. Quero que a minha vida termine no fim do caminho certo , se possível tendo sido um pouco retribuído daquilo que muito dei , mas se não for não faz mal, porque cada um so pode dar aquilo que tem dentro de si e o que eu tenho , graças a Deus é amor. Amor pelas pessoas que amo , pelos animais , pelas flores , sobretudo pelas minhas rosas azuis. Quando eu morrer , intimo alguém , que lance sobre o meu corpo sem vida , um imenso ramo de rosas azuis , as minhas flores mais amadas. Quando eu morrer , quero deixar boas lembranças , histórias de sonhos e de esperanças, de amor e de concretização , porque só de amor sincero, tão pleno como o quero , viveu o meu coração. Podem apontar-me erros , isentos dele ninguém está e muito menos eu , mas entre eles não está a mentira , a maldade ou a indiferença, porque não sei ser indiferente , nem distante , nem ferir, apenas sou como sou , o melhor que soube ser , do muito que a vida me ensinou. Um dia quando eu morrer , quero deixar alguma saudade , nem muita , nem pouca , apenas a suficiente , para deixar que a minha vida não se vá , impunemente. Um dia quando eu morrer , estarei em paz , porque do que me é permitido , nada deixei por fazer e muito menos por dizer, se alguém na minha vida não ouviu , não fui eu quem perdi , mas quem nunca me entendeu. Não sou complicado , nem difícil de compreender , não sou prepotente , nem ditador , sou um ser normal , equilibrado , sem grandes alterações de pensamento , que em noites de desamor , fez de seu confidente , o tempo. E o tempo que tudo cura, que tudo ensina e coloca no lugar, talvez esse tempo amigo ou inimigo , não sei mais, me acolha no seu seio, na sua completa verdade , por um momento tão ténue, a que se chama eternidade...

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Escrito por Gonçalo de Assis às 19:10

A Praga do Talvez

Terça-feira, 07.04.15

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Na minha vida nunca gostei de coisas mornas e muito menos de um quase... ou de um talvez ... O Talvez , pior que o quase soa a tumulo que enterra o que com uma certeza, poderia ter sido e não foi. O talvez mata , destrói , faz muito pior que o quase, embora o quase seja um adiamento indefinido de um sonho, de um projecto. O quase é ficar no limite de algo que a coragem não fez acontecer. Quem quase viajou já não viaja, quem quase trabalhou , não trabalha. O quase é responsável pelas coisas que podiam ter acontecido e não aconteceram, pelas oportunidades que nos escapam pelos dedos, das oportunidades que se perdem por mentiras e por medos, das coisas que por um motivo qualquer não se chegaram a viver.

Nunca fui capaz de compactuar com uma vida morna, contesto isso até aos limites. A vida morna vive da incapacidade de confiar nos outros , ou até mesmo de dizer a verdade, vive nos sorrisos mortos, na indiferença com que se fala aquilo que devia ser prioritário e dito de forma sincera. Para se ser feliz há que deixar de lado a covardia, e sentir com o coração. Nada na nossa vida se sente impunemente, a paixão queima, o amor enlouquece , o desejo inebria. Por isso sempre optei por sentir , por viver, por não deixar que a dor viva em vez da alegria. Se e vida fosse morna , o mar não teria ondas, os dias não teriam sol e o mundo seria cinza. A vida morna não cativa , não inspira , não dá animo , nem acalma. A vida morna é um ampliar do vazio.

Não acredito na velha máxima que diz que a fé move montanhas, claro que com fé ou sem fé , elas vão continuar lá. Para contornar as dificuldades , aprendi que a melhor arma é a paciência. Ainda assim não entendo as pessoas que preferem uma derrota prévia , à luta pela vitória, acho que não podem sequer merece-la. Aprendi que para todos os erros há perdão, aprendi que para todos os fracassos há sempre uma nova oportunidade, e para o nosso próprio crescimento há sempre o tempo De nada adianta cercar um coração para o deixar vazio ou proteger a alma para a economizar. Tudo na vida requer emoção , calor, nunca devemos deixar que a saudade sufoque, que o medo impeça, e a coragem falte. Não acredito no destino, acredito na minha força de concretizar. Uso o meu tempo para realizar , planear e construir. Não acredito em vidas mornas, talvez porque sei que o quase e o talvez , é o mesmo que coisa nenhuma.

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Escrito por Gonçalo de Assis às 13:03

Quinta Feira Santa

Sexta-feira, 03.04.15

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Esta é uma mesa preparada para o jantar cerimonial de quinta feira. A Maçonaria vive a quadra Pascal de uma forma peculiar, e hoje vou deixar aqui alguns dos rituais que ontem à noite se viveram.  Reúnem-se em volta da mesa , os graus mais altos da Loja que celebram uma ceia especial. O Mestre distribui o pão e o vinho por todos os presentes.  Existe uma tradição que obriga os Maçons a reunirem-se na quinta feira que antecede a Páscoa e a preservarem essa tradição , seja qual for o lugar do mundo onde se encontrem. Chama-se a esta quinta feira , quinta feira de endoenças, que vem do Latim: "indulgentias" e que mais vulgarmente ainda , se chama quinta feira santa, ou ainda quinta feira da paixão. Este ritual apoia-se num rito tradicional Judaico, herança directa dos ensinamentos dos Essênios:  o kidush (da raiz kodesh = santo, sagrado), que também é a origem da eucaristia. O kidush era realizado na véspera de uma festa religiosa, ou na véspera do shabbat (sábado, o dia santificado), para realçar a santificação do dia. Por ocasião da Pêssach ---Passagem, Páscoa, lembrando a saída do Egipto --- todavia, como a sexta-feira era dia de preparar os alimentos que seriam consumidos no sêder (jantar da Páscoa) e de queimar hametz (alimentos impuros, proibidos durante a Páscoa), o kidush era recuado para a quinta-feira.
Num kidush, o principal dos convivas de uma confraria (em hebraico:
shaburá) lançava as bênçãos sobre o pão e o vinho e os distribuía entre os demais (os shaberim , membros do shaburá).
A chamada "última ceia" de Jesus, com os seus "shaberim", foi um kidush, que precedeu a Pêssach ,

Espero ter deixado aqui um pouco da nossa tradição e dos nossos costumes, para que possamos juntos compartilhar esta época , que sendo sentida de formas diversas, marca sempre cada um de nós.

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Escrito por Gonçalo de Assis às 15:44





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