Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Eu, apenas Eu

Domingo, 15.11.15

sala de estar.jpg

 Às vezes fico quieto e calado , outras apetece-me escrever , trazendo de mim o interior para o exterior. Para mim , o pior encontro é o reencontro entre mim e mim mesmo .

Pode parecer egocentrismo, ou algo do género , mas é no meio dos meus livros que me encontro e reencontro no campo das minhas verdades. Não gosto e não sei lidar com muitas pessoas , gosto do meu canto , do meu mundo , das pessoas que amo. Não sou de me abrir muito , já o fui mais , mas as decepções deixam cicatrizes bem ruins de curar.

A vida é assim , um complicado e intricado bordado de Deus , que só conseguimos entender quando encontramos a ponta inicial do fio .

Não acredito muito nas facilidades e muito menos nos facilitismos, perco-me dentro de mim mesmo , porque às vezes tenho medo de sair para o sol que brilha , antes de eu compreender se a seguir não vem chuva.

Sempre desconfiei das coisas fáceis em excesso , do amor à primeira vista, para mim à primeira vista só mesmo desgraça.

Acho que tudo que tem um fundamento e importância se tem que consolidar , que se plantar , que se cuidar , para ver crescer.

Sou pessoa de caminhos seguros , não gosto de atropelos e a vida ensinou-me a procurar as pedras certas para apoiar os pés.

Escolho o meu caminho , tentando evitar os piores tombos , as piores dores , os piores momentos. Nem sempre o consigo e nem tenho a veleidade de me julgar um excelente conhecedor do género humano. Sou um estudioso da palavra , do sentimento , do gesto, mas não isento de erro.

Claro que às vezes me perco no labirinto de mim mesmo e horas tenho que entre mim e mim mesmo existe uma profunda solidão. 

Tenho sede de conhecimento e fome dos horizontes que só pouco a pouco se me abrem. Eu e os meus livros temos um caso de amor e ódio. Amor quando os absorvo , extraindo-lhes tudo o que me podem dar e um ódio quase visceral , quando o cansaço me deita para o seio de uma impaciência tão minha conhecida.

Sinto-me só muitas vezes , rodeado de um mundo que me aconchega , me absorve e me engole nas suas muitas multiplicidades. Divido-me em muitos "eus" , e eu mesmo não sei quantos de mim tenho que gerir para não me perder de mim mesmo .

Sou aquele que acredita , o que duvida , o que sonha , o que ama , o que odeia , o que ensina , o que aprende , o que foge , o que se encontra ,o que ri , o que chora , o que tem sono e o que olha a noite sem dormir , o que abraça , o que repele , o que procura e o que simplesmente não quer. Sou tantos de mim mesmo , que nem eu sei como me centrar num ser único que fisicamente sou.

Mas sou também alguém que ama , que depende , que se sente criança , que quer atenção simplesmente.

E sou o homem que ama , que quer ser só e apenas um homem comum , que vibra , que deseja , que sente e sorri.

Como todo o ser humano , refinado na sua semelhança à Divindade , eu sou eu e sou muitos de mim .

É nos livros que percorro que encontro o conhecimento que mata a minha sede de saber e é no sorriso luminoso de quem amo , que bebo a felicidade de ser também um homem comum , como qualquer outro homem.

Não me sei descrever , nem tenho que o fazer , perco-me em mim mesmo e descubro-me logo a seguir. Sincero como sempre sou e sonhador como nunca deixei de ser . Eu e o mundo , eu e o amor e eu e os meus livros.

Ou apenas e só eu.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Escrito por Gonçalo de Assis às 22:56

Rosa de Gelo

Domingo, 15.11.15

1346976462730.jpg

 Existe uma rosa de gelo , presa no sorriso que trago comigo

Existe uma rosa de gelo , cuja fragrância se preserva

oculta no coração de gelo

que está preso dentro do frio que me toma...

Existe uma rosa de gelo , que vive no calor da minha alma

e conserva o seu frio , no frio que nasce em mim

Existe uma rosa de gelo , nas estepes da minha alma

e que de dentro da minha alma

floresce como embrião de um segredo tão guardado

Existe uma rosa de gelo , plúmbea, de um branco irreal

que floresce em mil cores deslumbrantes

as cores de um sonho a raiar.

Existe uma rosa de gelo , que gela do calor que há em mim

e irradia a sua frescura no ardor que me domina e queima

Existe uma rosa de gelo , que oculta a sua beleza

no escuro da minha alma e persiste

envolta num halo de promessas de um degelo ameaçado

Existe uma rosa de gelo , que me toma e me possui

igual a pássaro alado . que voa dentro de mim

Num misto de calor e gelo que se misturam a par

formando nas minhas veias , um fogo eterno gelado

uma discordância sem fim

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Escrito por Gonçalo de Assis às 13:06





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  



comentários recentes



subscrever feeds