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Há tardes assim

Domingo, 29.05.16

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 Há silêncios que falam e verdades que gritam nesse mesmo silêncio. Há tardes de rir , de chorar e tardes apenas tristes em que a vida nos dá ganas de a agarrar pelos cornos como se faz ao touro enfurecido. Há horas que doem bem no infinito do nosso ser e dói quando se vê um amigo chorar envergonhado porque a força falta e dissimula essas lágrimas num sorriso mais doloroso que qualquer lágrima. Detesto dramas , sou avesso a eles , prefiro sem sombra de duvida a comédia , o riso , a loucura inerente à gargalhada , contudo há tardes assim ...

Não vou aqui desenrolar nenhum drama , acalme-se o coração dos leitores já desabituados de encontrar palavras novas neste cantinho que o nosso poeta trocou por outras poesias , outros momentos , outros sonhos.

Também não vou aqui falar de quanto nos faz falta o toque doce e mágico das suas palavras partilhadas.

Quero apenas pedir uma coisa , porque acredito que boas energias fazem o mundo girar e que quando a energia se concentra e é positiva tem o dom e o poder de fazer milagres de amor. Não peço muito , sei no entanto que qualquer texto deixado aqui tem uma grande visibilidade pois sai no Facebook também , peço apenas que cada leitor que aqui passe faça no interior de si mesmo um minuto de elevação a Deus , de amor , de carinho pelo poeta que por aqui partilhou os seus momentos mais poéticos e belos , para que cada coração doe um pouco de carinho ao poeta que tanto nos deu e se faça uma onde de energia positiva , uma corrente que transforme em amor o sentimento e o proteja num amplexo de ternura e amizade.

O Gonçalo é um dos melhores homens que já conheci , uma pessoa honesta e sincera de valores que este mundo já perdeu.

Às vezes os poetas também precisam de nós , precisam que lhe peguemos nas mãos e lhes mostremos que nos ensinaram a sonhar , e que devolvemos esse sonho em forma de afecto sincero.

Há tardes assim...

Um enorme abraço a todos os leitores e obrigado por me aturarem.

Pedro L. de Castro

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Escrito por Gonçalo de Assis às 19:58

Fragilidade X Ultima Vez

Quarta-feira, 11.05.16

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As pessoas agem como se tivessem todo o tempo do mundo para ficar por cá , creio que actos e pensamentos mudariam se estivesse mais presente em nós , humanos , a fragilidade inerente à nossa condição. Deixamos de ligar ao céu azul , as flores , aos pássaros , a tudo que nos rodeia como se tudo isso fosse uma moldura e nós fossemos o centro do universo. Costumamos ter a prepotência de achar que somos o centro do mundo e o resto apenas a paisagem que envolve a nossa estada aqui. Erro crasso, E esse erro ocorre porque não aprendemos nada ao longo da vida que temos cá , que deveria exactamente ser fonte de aprendizagem e compreensão da nossa fragilidade enquanto corpo físico. Bastaria para isso recordamos as despedidas a que somos submetidos ao longo desta mesma vida. Desde o inicio há uma primeira vez para tudo e uma ultima também e o nosso caminho aqui enquanto seres físicos esta pejada de ultimas vezes. Houve um dia em que pela ultima vez tive colo da minha mãe , a ultima vez em que ouvi a sua voz. A ultima vez em que me sentei no banco da escola primária , do liceu e depois da Faculdade. A ultima vez em que abracei determinados amigos , a ultima vez em que vi certas pessoas , a ultima vez que vi certas paisagens. E há tanta ultima vez ao longo da nossa vida . A ultima vez que lemos certo livro , a ultima vez que frequentamos um lugar , a ultima vez que entramos num local de trabalho , a ultima vez em que fizemos amor com alguém , a ultima vez em que ouvimos da boca de alguém "amo-te", um ultimo abraço dado a alguém. A ultima vez que partilhamos a vida com alguém , a ultima vez que ouvimos os passos de alguém no corredor , o ultimo afago do nosso cão , gato ou seja que animal estimamos e se foi. Tanta ultima vez. A ultima vez está inerente em tudo que fazemos na nossa vida. Também haverá uma ultima vez em que abrirei este PC , haverá uma ultima vez que estarei no Facebook , nos mails , ou neste blog, Haverá uma ultima vez em que usarei o meu telemóvel , farei uma chamada ou enviarei SMS. Haverá uma ultima vez em que me deitarei na minha cama , uma ultima vez em que direi "amo-te" , uma ultima vez em que entrarei na minha casa , lerei um livro , verei TV, verei as minhas rosas , conduzirei o meu carro , verei o céu azul , ouvirei os pássaros , montarei a cavalo , receberei os afagos dos meus animais. Há tanta coisa que farei pela ultima vez , que todos faremos , porque a despedida é inerente a todo o ser humano e a nossa vida aqui é uma sucessão de despedidas. Só não sabemos quando elas vão acontecer , umas podem ser hoje , amanhã  , ou daqui a anos , esta incerteza é condicionante da nossa vida. Mas devemos aproveitar esta incerteza , o tempo que vai da semente à flor para usufruirmos tudo o que a vida nos pode oferecer. Sem medos , sem questionamentos exagerados , sem vinganças tolas , porque o medo só nos trava , questionar em excesso só nos atrasa o passo e vingarmo-nos não afecta os outros , mas sim a nós mesmos. Porque exercer vingança sobre quem não gosta de nós ou não se importa connosco é perder tempo , a pessoa alvo não está nem ai. E exercer vingança sobre quem gosta de nós , ferir quem nos quer bem , isso sim será prova de remata estupidez. Então aproveitemos o tempo incerto da nossa passagem aqui , e entre as despedidas pequenas e as despedidas avassaladoras e dolorosas e até chegar a ultima despedida, aproveitemos então para sorrir como se fosse a ultima vez. Para amar , doar-se e ser sincero como se fosse a ultima vez . Para brincar , olhar o céu , ver o mar , ouvir os pássaros , dizer amo-te, como se fosse a ultima vez. Não perder tempo com tolas futilidades , nem rancores ridículos , nem melindres parvos , agarrar o amor , a vida , o mundo , como se fosse a ultima vez. Porque não sabemos se não será.

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Escrito por Gonçalo de Assis às 16:37





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