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Lágrimas da Noite

Sábado, 14.01.17

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As gotas da noite escorrem pela minha pele fria, fria de tanto momento enterrado ... Fria como é fria a mão da noite que me toca devagar. Dos meus cabelos revoltos como grito do vento que passa , escorrem as lágrimas de uma noite que me acolhe ... mais uma noite de tantas noites em que procurei ardentemente a madrugada e a perdi ... Não sei porque a noite chora mas entrego-me ao seu abraço molhado e sinto as suas lágrimas de prata molharem o meu cabelo . Fundo-me nas sombras que se entrelaçam e me acolhem , porque é cúmplice a noite que vem e me abraça. E nos seus gemidos , ouço o lamento de uma dor desconhecida que se solta nas asas do vento e paira por sobre a copa das árvores. É na sombra da noite que me acolho e no seu abraço me solto e posso ser o que sou , apenas eu . Respiro as lágrimas da noite , saboreando o seu gosto pungente e dolorido, ouvindo no murmúrio das fontes o pranto da noite , contido. Abro os meus braços e abraço a noite, sentindo o pulsar do seu coração na mesma cadencia do meu , procurando na cumplicidade dela , relembrar tanto momento , tanto sorriso, que existiu e morreu. É feita de dor a noite que norteia os meus passos e me entrelaça de sombra os braços, num abraço imortal que me acalenta e condena, é mortal e doce o abraço da noite, como alma que se vai, triste porém serena. Sinto as lágrimas da noite molharem-me os dedos estendidos de uma mão que se cansou de estar vazia e se abre ao silêncio que impera, no seio de uma noite que se cansa e nada espera. Entrego-me ao abraço da noite, perco-me no calor frio com que me aperta e sorrio , um sorriso perdido no meio da noite que chora , agarro as suas lágrimas e compreendo-as, queria consolar a noite , falar do brilho da lua , da magia das estrelas , da sua beleza sem igual, mas a dor da noite é eterna e eu que sou afinal? Apenas um pobre mortal... que se prende nos braços da noite ...

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Escrito por Gonçalo de Assis às 20:37





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