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Dilema do quase...

Sexta-feira, 23.10.09

Pior do que ouvir um não , é ficar na espera de um sim , que pode nunca acontecer.

A incerteza de um talvez é terrível e o stress de um quase é arrasador.

É a incerteza de um quase que nos deixa de mãos atadas , que nos destroça porque sentimos que se soubéssemos fazer melhor as coisas, conseguiríamos e ficamos pendentes desse quase.

O quase, é tudo que podia ter sido e não foi , tudo que se sonhou e ficou num limbo.

O quase tem o gosto amargo das coisas que deixamos escapar , da tal felicidade que não soubemos agarrar e que nos fugiu pelos dedos.

É o quase que traz a certeza triste das coisas que se perderam por medo, dos sonhos que nunca sairão da esfera de meras vontades pela nossa inércia.

Por comodismo condenamo-nos a viver uma vida cinza , mas que julgamos certa e segura.

E construímos os nossos sonhos anémicos nos abraços frios , nos sorrisos sem vida , na total indiferença a que nos relegamos perante os sentimentos , e que resulta numa enorme cobardia e numa total incapacidade de sermos felizes.

Os sentimentos magoam , torturam e talvez fosse sinal de não seguirmos esse caminho.

De ficarmos pela morna alegria de quase amar, de quase ser feliz.

Mas esse quase é um meio termo que não é o caminho para a felicidade.

Dizem que é no meio termo das coisas que está a virtude da paz, não concordo.

Se tivéssemos que viver no meio termo , só teríamos metade das cores , metade dos sonhos , metade dos desejos e quem vive de metades, nada tem.

Claro que eu sei que nem sempre é possível termos o que desejamos , que existem coisas que transcendem a nossa capacidade de luta , mas isso não obriga a que tenhamos que nos sentir derrotados sem antes lutar.

Sentir que seremos derrotados antes da luta é na verdade não sermos dignos de uma vitoria.

A paz feita da negação de nós mesmos , não acalenta , não embala , não ilumina a alma.

É apenas um enorme vazio , que nos torna meros invólucros de nada.

Para tudo existe um remédio na vida , para as derrotas existem novas oportunidades , para os erros existe o perdão e para as mágoas provocadas por sentimentos existe um remédio chamado tempo.

Não adianta proteger da dor um coração se for para o deixar oco.

Os sentimentos são imprevisíveis e o amor doloroso, um amor que termine rapidamente e não deixe dor , nunca foi amor.

Não devemos nunca acomodar-mos à rotina do nada.

Nem devemos deixar que a saudade ofusque de dor o que pode ser o mais belo sentimento.

E muito menos devemos permitir que o mundo nos impeça de tentar ser felizes.

De ditar regras que nos deixem coagidos , de nos aconselhar em assuntos que só a nós dizem respeito.

No amor devemos desconfiar de conselhos alheios e acreditar somente naquilo que sentimos.

Ter a coragem de realizar para além do sonho, ter a coragem de ser e de fazer, é muito mais produtivo do que ficar esperando que o destino faça por nós.

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Escrito por Gonçalo de Assis às 15:54


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