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Um minuto mais

Domingo, 20.12.09

 

Havia uma senhora que se sentia muito feliz. Tão feliz que julgava a sua felicidade única e irrepetível. Desde sempre tinha amado o mesmo homem , casara com ele e tinha um filho saudável e lindo. Todas as manhãs ao acordar abria a alma para aquela felicidade suprema. E foi vivendo banhada daquela felicidade , até que um dia descobriu que o esposo a traia.E não era uma traição ocasional , era algo continuado. Decepcionada e assustada dirigiu-se ao marido e pediu explicações , exigiu respeito e fidelidade. O marido apanhado de surpresa e sem saber como gerir a situação , tornou-se violento. O homem doce e gentil que ela conhecia, respondeu-lhe com agressão física. Nesse momento ela viu morrer o seu conto de fadas e toda a beleza do seu casamento se foi. Sentiu que não podia suportar mais , que não mais poderia compartilhar a sua vida com alguém que fora capaz de a agredir violentamente e sem razão alguma. Envolta numa profunda tristeza, com a alma angustiada , tomou uma resolução grave e séria. Decidiu que se suicidaria, que terminaria a sua vida , mas a sua dor exigia vingança. E pensando nisso agarrou o filho pela mão e decidiu que se suicidaria juntamente com ele. Para que o marido sentisse a dor profunda de perder o filho ainda quase bebé. Decidiu que se atiraria ao mar com o filho nos braços. Procurou uns rochedos na proximidade da casa onde vivia e conhecia bem o precipício que procurava , onde lá em baixo o mar em fúria , despedaçava quem se metesse nas suas águas. Ao atravessar a rua que a levaria junto do mar , uma estrada costeira onde passavam muitos carros , o filho escapou das suas mãos e correu pelo meio dos carros que circulavam. Ela sentiu um enorme desespero. O que era estranho porque levava o filho pela mão para que morresse consigo , mas ao vê-lo em perigo , alheou-se da sua pretensão e correu em desespero , de braços estendidos para o salvar. O menino baixou-se na estrada e pegou uma folha de papel , a que lhe tinha prendido a atenção , pelas imagens coloridas e o fizera correr para apanhá-la. A mãe curiosa pegou na folha de papel e os seus olhos caíram no titulo que em letras garrafais dizia "UM MINUTO APENAS". Interessada ela leu: "Num um minuto apenas, a tormenta passa, a dor passa, o ausente chega.

O dinheiro chega, o amor parte, a vida continua."

Com o filho fortemente agarrado pela mão , ela foi lendo o resto do texto. Era um texto escrito por um filósofo que poderia ser um sábio. Ela terminou de ler , seu ímpeto suicida tinha passado... num minuto apenas. Decidida e a sorrir , pegou na mão do filho e voltou para casa, sabia que tinha como lutar , como recuperar o seu casamento , perdoar o marido e reerguer o seu lar.

Por isso , por muito grande que seja a sua dor, o seu desespero, quando pensar que só o fim é a solução, espere, pense, conceda a si mesmo , mais um minuto...

 

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Escrito por Gonçalo de Assis às 17:01


3 comentários

De Maria Manuel Batista a 21.12.2009 às 00:23


Um minuto apenas é o tempo necessário para mudar uma vida para sempre. O momento da decisão, tão curto, perpetua-se na responsabilidade do caminho seguido e dos passos que damos. Que a sabedoria e o amor sejam presentes nesse minuto. Amo-te muito, meu amor.

De valquiria a 21.12.2009 às 09:34

Bom dia Gonçalo!!!Que lindo seu texto!Basta um minuto para você construção de um lar ou de uma vida.Enfim,num minuto  que você dara sim, que modificara  sua vida...e basta.
Beijos com carinho

De Pedro Lyon de Castro a 21.12.2009 às 13:01

É num minuto que jogamos a nossa vida. É num minuto que escolhemos entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira , entre a dor e a paz. Que todos os teus minutos sejam abençoados. Que Deus faça da tua vida uma sucessão de minutos felizes

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