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Gonçalo de Assis e um pouco da sua vida

Segunda-feira, 18.01.10

O post de hoje é especial. Especial porque não é todos os dias que se fala de alguém como o autor deste blog.

O meu nome é Alexandre, sou professor e conjuntamente com o Nuno Mello resolvemos fazer assim meio que de surpresa um post diferente.

Todos que aqui passam e são muitos , elogiam a beleza do blog , a pureza e sinceridade dos textos e o seu autor.

E resolvemos hoje deixar aqui aos leitores algo mais sobre esta pessoa tão especial.

Não é biografia nem entrevista , é uma mistura, uma homenagem e um reconhecimento.

O Gonçalo nasceu a 10 de Abril de 65 numa cidade dos EUA, de mãe de nacionalidade Portuguesa e filha de mãe inglesa e pai alemão , filho legitimo de um português descendente de franceses.

De uma família bem conceituada , cresceu um menino invulgarmente inteligente e travesso, que faz os seus estudos num colégio Inglês, e´depois no colégio militar.

Que segue mais tarde o curso de direito e se forma em Yale por imposição familiar.

Os amigos descrevem-no como um rapaz simpático , muito popular entre as meninas e invulgarmente tímido e retraído.

Tendo desde muito jovem estudado vários idiomas , entre eles Aramaico e Hebraico, dedica-se a estudos teológicos e junta-se à Maçonaria , entre outros interesses.

A nível pessoal, embora sempre muito rodeado por mulheres , é difícil de se apaixonar.

Foi pai muito jovem, de um filho que infelizmente veio a falecer.

Hoje é pai de dois filhos, frutos de relacionamentos anteriores.

Aos 35 anos descobre que tem um problema de saúde grave que se arrastou até ao passado ano , em que se submeteu a um duplo transplante de coração e pulmão.

Um senhor que viveu no Brasil e nos Estados Unidos a maior parte da vida, herdeiro e gestor de uma discreta fortuna familiar, é uma pessoa que gosta de se manter numa protectora capa de anonimato.

Reside actualmente numa elegante casa na linha de Sintra e é um ser humano muito especial.

Descendente de uma casta familiar muito fechada , onde casam  entre famílias para preservarem um clã ancestral, é assim o nosso poeta e escritor que um dia decide entrar no mundo da net, apaixona-se por uma mulher que conheceu por MSN , que amou e  cujo amor não deu certo.

Como ele nos disse um dia sobre isso,  tinham tudo para dar certo e o mundo tinha tudo para darem errado.

Hoje é um homem muito feliz, de bem com a vida , apaixonado. E é sobre essa faceta que falamos com ele , numa conversa informal, da qual transcrevemos algumas partes.

 

- Gonçalo, como foi para ti o ano de 2009?

 

Gonçalo- Para mim 2009 foi um ano de todas as decisões ou quase todas. Foi essencialmente o ano de recuperar a minha vida , a minha saúde, a minha capacidade de deixar para trás quase 8 anos de uma dor intensa.

 

- Estas completamente curado?

 

Gonçalo - Estou e não estou. Estou no sentido que me devolveram a vida ao serem-me transplantados órgãos saudáveis, e não estou ainda , porque a recuperação é longa , difícil e complexa. Mas tem sido uma vitória. Cada dia para mim é um milagre.

 

- Esse transplante foi uma decisão difícil?

 

Gonçalo - Foi uma decisão necessária mas assustadora. Devo a minha coragem e a minha força à Maria, que me apoiou e literalmente me obrigou a dar esse passo .

 

- Lemos no texto de ano novo um sentido agradecimento à tua mulher. E foi possível sentir ali como são unidos.

 

Gonçalo - Somos. Aliás muitas vezes pergunto-me como vivi tantos anos sem ela. De repente ela é o centro da minha vida , o meu equilíbrio, a minha vida , a minha força. Uma mulher que se encaixou na minha família como se a ela sempre tivesse pertencido. Uma mulher especial que é o norte da minha vida.

 

- A parte visível da sua família , na net quero dizer , é acompanhada por muitos dos leitores do Sonhos no blog da Inês. É fácil aceitar essa exposição?

 

Gonçalo - Na realidade não há exposição alguma. O blog da Inês é uma espécie de diário virtual de uma menina que ama a imagem, as fotos , que diz que quer ser modelo quando crescer.

Ficam ali momentos dela, coisas que um dia mais tarde vai querer recordar.

 

- Mas fica também de certa forma o dia a dia de uma família...

 

Gonçalo - Ficam momentos, apenas momentos, momentos geralmente de festa, lembranças para recordar. Um cantinho de uma criança. A minha família toda mantém uma cuidada discrição quanto à sua vida.

 

- As imagens que aparecem no blog da Inês são selectivas e cuidadas , portanto...

 

Gonçalo - Claro que sim. Apesar de ser um blog infantil é um sit publico e é claro que se tem o maior cuidado com o que se edita. Geralmente são ou pais que colocam as fotos levando em consideração que muitos dos familiares não querem ser expostos. E portanto não aparecem , respeita-se a vontade e a privacidade a que cada um tem direito.

 

- O Gonçalo mantém a tradição de nunca aparecer nessas fotos?

 

Gonçalo - Bem , ultimamente era impossível aparecer uma vez que em virtude da cirurgia tenho estado afastado há meses. Quando estava , e como o meu amigo sabe e em virtude de uma outra vertente da minha vida profissional , eu tenho que preservar um pouco a minha imagem.

Optei por ser sempre eu o fotografo e só aparecer nas que ficam exclusivamente no álbum familiar.

 

- Mas tem as suas fotos expostas no Sonhos.

 

Gonçalo - Claro que sim. Algumas que decidi publicar, até porque a minha mulher queria que eu as colocasse em sites dela. Não gosto de me expor intimamente mas também não tinha porque não lhe fazer essa vontade.

 

- No texto de Ano Novo agradeces também à tua família. São muito unidos?

 

Gonçalo - Somos muitos e com interesses divergentes. Tentamos ser unidos , nem sempre é fácil , mas no geral existe uma boa coesão. Foi para o Sul que a Maria foi após a nossa decisão sobre o meu transplante e como ela tem um filho menor e existiam problemas de entendimento quanto ao poder paternal e ela não podia deslocar-se para fora do Pais com o menino sem aprovação do progenitor e depois porque começaram as aulas e ele também não poderia viajar, e foi por isso necessário que ficasse em território nacional, decidimos eu e ela , para que ficasse apoiada e amparada que fosse para junto de familiares meus.

 

- Uma família muito especial a tua. É um núcleo fechado e restrito, é assim tão inacessível como dizem?

 

Gonçalo - Um pouco. Alguns como foi o caso da mãe da Inês, às vezes tentam fugir um pouco a esse centrismo e afastam-se um tanto. Foi o caso dela que procurou um futuro de todo afastado do geral da familia. Que viveu uns anos fora , mas que acabou por se aproximar de todos e hoje somos de facto muito coesos. Embora ela tenha casado no Sul onde permanece, é uma pessoa especial que adoro.

 

- Agora uma pergunta mais intima. Como conheceste a Maria e quando?

 

Gonçalo - Conheci a Maria quando ela era estagiária. Era uma garotinha linda , mas muito mimada. Eu também era. Era impossível que algo entre nós desse certo na época. Ambos éramos muito voluntariosos e com uma necessidade extrema de liberdade. Nenhum de nós tinha a capacidade de fazer os outros felizes. era a idade do eu quero , eu sou eu posso...

 

- Afastaram-se?

 

Gonçalo - Sim , por completo e durante uns anos.

 

- Como foi o reencontro ?

 

Gonçalo - Foi inusitado. Eu estava em Londres e tinha na altura um blog que ainda hoje conservo , o docelagrima. E nesse blog eu tinha o meu endereço de e-mail. Ela adicionou-me e fomos conversando quando era possível. Nenhum de nós se queria envolver de novo.

 

- Mas o destino não quis assim.

 

Gonçalo - Não quis nem poderia. Acho que sempre fomos apaixonados um pelo outro. Ambos fizemos a nossa vida , mas bastava que nos reencontrássemos para que tudo que tínhamos sentido se reacendesse. E foi o caso. Tentamos afastar-nos , tentamos ignorar o que sentíamos , mas foi impossível. Rendi-me por completo ao amor.

 

- A um amor do passado , então.

 

Gonçalo - A um amor intemporal e que será eterno. Amo esta mulher como nunca amei. Que me perdoem todas as outras que jurei amar. Eu não sabia o que era amor na sua plenitude suprema.

 

- Estes meses em que a Maria teve que ficar em Portugal, foram complicados?

 

Gonçalo- Qualquer afastamento é uma dor para quem se ama. Quando o sistema de visitas do menino ficou devidamente resolvido nós ficamos com os fins de semana que ela tem livres e as férias. Fizemos desses dias momentos únicos.

 

- Para breve a alta sem retornos?

 

Gonçalo -  Já tive alta graças a Deus. Os retornos ao hospital vão ficando espaçados. Neste momento ainda preciso de um certo isolamento , porque como tomo imunodepressores para não ocorrer rejeição dos órgãos,  o meu organismo fica sem defesas e é muito complicado. Mas o pior já passou.

 

- Para breve o retorno à vida normal?

 

Gonçalo - Muito para breve , graças a Deus. E termino enviando um abraço a todos os que passam pelo Sonhos. À minha família um abraço especial e carinhoso, e à Maria um longo beijo , mas esse eu mesmo dou.

 

- Ainda não esta na sua casa?

 

Gonçalo - De momento ainda tenho que estar afastado das crianças, porque andam na escola e trazem todo o tipo de vírus e o perigo de uma gripe oportunista é muito grande e grave ainda. Mas em pouco tempo estarei mais forte e mais capaz de retomar toda a minha vida normal.

 

- Mas agora muito mais perto da Maria.

 

Gonçalo - Aproveitamos cada momento. Temos uma sede de amor e de vida quase insaciável. O futuro é nosso...

 

E é assim a vida de uma pessoa muito especial. Apenas um pouco da vida de um homem brilhante, que não faz alarde do que é. Do descendente de uma família muito especial, que vive anonimamente , embora traga no seu sangue toda a honra e dignidade de um nome e de uma tradição .

Resta-nos desejar que Deus proteja este amor e todos que amam e sabem amar.

Para o Gonçalo o nosso desejo sincero de que tudo corra bem a nível de saúde e foi uma honra falar de e com um homem que consideramos o exemplo quase extinto da nobreza no seu estado mais puro.

Bem hajam.

 

Texto de Nuno Ferraz de Mello

                           e

Alexandre C. Bueno

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Escrito por Gonçalo de Assis às 23:13


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