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História de Amor

Quarta-feira, 01.09.10
Vivemos uma vida que de certa forma nos torna solitários. A sede de sucesso motiva-nos apenas para o plano profissional e de certa forma assumimos o papel ingrato de máquinas mais ou menos produtivas . E no meio disso tudo , a vida pessoal tende a perder peso , a ser relegada para segundo plano , mas mesmo assim a vida encarrega-se de nos surpreender com episódios bonitos . Conheci a Maria num tempo em que era uma garota acabada de formar , com um ar petulante e um narizinho empinado e pouco dada a grandes amores . Acho que se tivessemos pensado em ficar juntos nessa altura , teria sido um erro . Eu era extremamente mimado e volúvel , ela era mimada e desligada . E Deus na sua infinita sabedoria nem se atreveu a juntar-nos, sabendo certamente que seria um descalabro total . Mas sempre recordei a garota de nariz em pé , que tão novinha se batia nas barras dos tribunais com garra e convicção e que acreditava plenamente na justiça e lutava por ela . Eu nunca gostei de ser advogado , fui porque mo exigiram , segundo me diziam era o curso que dava mais prestígio , logo a par com medicina , mas esse estava fora de cogitação , eu entro em pânico só com a ideia de me deparar com alguém ferido . Sou advogado e hoje acho que gosto um pouco , embora por hábito não exerça. Retomando no entanto quando me aparece algo empolgante , algo que me dá luta . E anos depois , alguns , após já ter enviuvado , depois de ter namorado muito , de me ter relacionado com tanta gente , depois de saltar de cama em cama por mera rotina , comecei a achar que era incapaz de amar . Os meus amigos diziam-me que eu era de entusiasmos ligeiros e de facto eu sentia-me assim . Quando começava a namorar alguém , até me sentia apaixonado , era tudo mágico , colorido , até ao dia que sem a outra pessoa ter culpa , eu a olhava e não sentia nada . Claro que me queria desligar de imediato , mas não tinha motivo e o medo de ferir tolhia-me , então arrastava o relacionamento até não poder mais . E fazia tudo para que a pessoa tivesse um motivo para me deixar e eu não me sentir tão culpado . Depois vieram as épocas dos namoros virtuais , muito confortáveis , porque não tinha que me expor e esperançado que os tais entusiasmos se devessem apenas ao tédio do meu circulo tão fechado . Sem me expor muito , dei oportunidade a mim mesmo de conhecer outras pessoas , que não faziam parte do meu mundo habitual . E percebi que me podia magoar com facilidade . Descobri que as mulheres jogam sem escrúpulos e que a net lhes permite todas as mentiras e fantasias . E isso desencantou-me bastante . Acabei por amar na net , sem dúvida , mas depois dei-me conta que era um amor idiota . Eu sei que todos os amores o parecem , mas por a net era mesmo . É giro amar alguém pela net , quando depois da conversa fechamos o pc e voltamos ao nosso mundo , a confusão começa quando queremos misturar o nosso mundo com a net. Não dá certo. Acho que vivi uma época de loucura , que por ter tido uma infância e adolescência tão restrita me vi ali num tardio grito de liberdade . Não me arrependo , foi giro na altura , muito amargo também , muito doloroso e que me mostrou de quanta mesquinhez e calculismo o ser humano é capaz . Não lamento ter amado mesmo tendo sido um sentimento desperdiçado , apenas sempre me senti de certa forma usado pelas mulheres . Sempre senti que por trás do amor delas por mim estavam interesses secundários e pouco honestos . Não em todas , claro , mas isso feria-me e acho que por isso mesmo , acabei perdendo todo o respeito pelas mulheres , usava-as e divertia-me com isso . Mas a futilidade cansa , cansei-me de jogos de alcova , cansei-me de gente tão vazia e senti-me perdido na vida . Até ao dia que a Maria apareceu na minha vida . Ela não apareceu feito tufão , igual a uma tempestade de verão , que só dura um pouquinho , ela apareceu de mansinho , sem jogos , sem esperar nada , apenas dando um imenso apoio e carinho . Foi um tempo bonito , sentia-me amparado na amizade dela , que agora não era mais a garota petulante , era uma mulher completa , inteira e muito especial . Com o tempo entendi que ela era de facto a outra parte de mim . Lutei muito contra isso, até porque nessa altura tinha outra pessoa na minha vida que me mentia , mantinha preso por jogos e falsidades , mas que eu não queria magoar . Até ao dia em que vi que só tenho uma vida e que estava a perder o melhor que ela me podia dar . Entrei de cabeça nesse relacionamento e descobri na Maria um mar inesgotável de qualidades e sentimentos nobres . Uma mulher que sei que me ama , não pelo meu rosto , nem pela minha conta no banco , mas sim porque me ama de verdade . Dela recebo todos os dias grandes e pequenas provas de amor . Claro que nem tudo é fácil sempre, também brigamos , também amuamos , mas com a certeza que passa logo a seguir . Sempre tive prioridade na vida da Maria , sem obviamente nunca lhe ter pedido isso e descobri com ela a força e a doçura de uma mulher . Costumo dizer a brincar que foi a única que teve pulso para me colocar freio e de certa forma sim . Aprendi a respeitá-la como jamais tinha respeitado qualquer outra mulher que tenha entrado na minha vida e se ainda assim às vezes cometo erros , aprendi a me tornar um homem bem melhor . Simplesmente porque não se consegue magoar quem se ama de verdade . Viver juntos é um eterno crescimento e aprendizado e acredito que ainda estou no patamar básico desse aprendizado , mas seja como for , sei que esta união será eterna e que não trocaria a minha mulher por nenhuma mulher do mundo . Só com ela me sinto de facto vivo e acredito que isto pode acontecer na vida de todos . Basta que não nos concentremos só na vida profissional e deixemos o nosso coração aberto para o amor e para a entrega . Quando menos esperarmos , esse amor vai aparecer de mansinho na forma de um sorriso ou de uma palavra suave .Sejam Felizes!!!
 
  

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Escrito por Gonçalo de Assis às 16:29


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