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Renego A Noite

Quarta-feira, 26.01.11

Chega a noite num manto escuro que cobre tudo

e me deixa na boca um gosto amargo a fim

A fim de um dia que parte

deixando a sensação que parte com tanto por viver

A noite deixou de ser um refugio

já não mergulho em seu seio

certo que ela me repudia .

Não sou mais o seu menino

acolhido no seu seio semeado de estrelas .

Sou apenas um vulto pequeno

que se assusta com a escuridão

e busco a luz

rasgando o abraço que me protegia .

Sinto que o dia morre cedo demais

deixando a noite seduzi-lo

para um espaço vazio onde impera o nada .

Encontro-me face a face com ela , nego-a

fujo dela

e do luto interior que me oferece .

Quero luz , quero dias plenos de sol

quero gritos , risos , zangas

o cantar de pássaros , o aroma das rosas , as birras das crianças .

Quero vida , quero sangue a jorrar nas veias

não quero o frio da noite

quero a carícia do dia que desperta .

Renego a noite que me condena ao silêncio

ao seu seio que cheira a morte

ao seu riso que me arrepia a pele .

Nego-me à sua sedução

nego-me ao suave torpor que me oferece

ao esquecimento que me proporciona

à invasão de mim mesmo

num ocaso qualquer .

Renego o seio da noite

perfumado , tranquilo , avassalador

que já nada me seduz

preciso de sangue quente

de gritos na noite calada

de sentimentos dementes

de sensações que são cores e são luz .

 

 

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Escrito por Gonçalo de Assis às 18:00





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