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A estaca

Terça-feira, 09.10.12

 

Há muitos anos atrás,quando eu era ainda criança , era fascinado por circos, pelas suas luzes e sons e sobretudo pela possibilidade única de ver animais selvagens tão perto de mim .

Sem dúvida que o animal que mais me deixava encantado , era o possante elefante . Era um animal que me encantava e assombrava pela sua força invulgar . Apesar disso , antes de o circo iniciar ,o elefante era visto sempre preso a uma pequena estaca junto das tendas dos artistas. A estaca era frágil e a corrente que prendia uma das suas patas dianteiras a ela , para ele nada mais era , que uma frágil linha facilmente quebrável . Causava-me estranheza que um animal com força suficiente para arrancar uma árvore , permanecesse preso a uma frágil estaca. E assaltavam-me perguntas óbvias: Porque permanecia preso? Porque não se soltava ?

Quando eu era criança , eu acreditava nos poderes fantásticos dos adultos e achava que o prendiam com uma magia qualquer .

Perguntei ao meu professor o que mantinha o animal ali .

Ele respondeu-me que não fugia porque estava ensinado e eu perguntei: Mas se está ensinado , então para quê a estaca?

Ele franziu os olhos e mandou-me abrir o livro de matemática , remédio santo para me calar.

O tempo passou , o circo deixou de trazer o elefante e essa lembrança ficou perdida na minha memória.

Anos depois numa visita ao Jardim Zoológico e ao ver os elefantes , lembrei-me do "mistério" do elefante do circo e comentei com o meu padrasto , as dúvidas que tinha sentido em relação à estaca e ao animal ali permanecer preso .

O meu padrasto riu e disse-me : - Oh filho , o elefante ficava preso à estaca , porque estava habituado a ser preso nela , desde muito pequenino . Aquilo tornou-se tão normal para ele , que nem lhe passava pela cabeça dar um puxão e arrancá-la . Era um hábito , limitativo , mas um hábito aprendido desde muito juvenil.

Parei e imaginei o pobre elefante bebé preso à estaca , na altura deve ter resistido , deve ter puxado para se libertar , mas era tão jovem , que a sua força ainda não o permitia. E deve ter tentado , até que desistiu . Provavelmente , um dia já exausto , deixou-se tomar pela impotência e simplesmente desistiu.

E foi crescendo sem se dar conta que a sua força aumentou e que aquilo que era impossível de vencer , depois era somente um mero pedaço de madeira que ele arrancaria sem esforço algum . E por se deixar vencer um dia , ele permanece amarrado , nem tenta fugir , porque acredita que não o pode fazer . Na sua cabeça permanece a impotência e a fragilidade do tempo em que não se pode libertar e acreditou e aceitou que seria para sempre .

O triste de tudo isto , é que ele desistiu de tentar , de lutar .

Nós , tal como o elefante do circo , criamos limitações , acreditamos nelas , porque algumas vezes tentamos e não conseguimos e adquirimos em nós a ideia de que sempre será assim . E desistimos. A pior coisa que podemos dizer a nós mesmos é : " não posso".  Vivemos com essa limitação que colocamos a nós mesmos e paramos de tentar . Fica em nós um medo de levar mais um "não", de termos mais uma decepção e para nos protegermos , acreditamos que não vale a pena lutar .

E quando nos apontam o que podíamos ter feito e não fizemos, imediatamente soa a nossa campainha interna e eterna :"não pude , nem poderei".

E isto é um erro , que domina não só cada um de nós , como domina a nossa vontade colectiva e neste momento temos um povo preso à estaca , porque se adquiriu o dado de que não é possível fazer mais nada .

Para vencermos onde os outros fracassaram , temos que ter a força e a coragem de fazer aquilo que os outros não fizeram ...

 

P.S. Fica aqui neste texto as minhas respostas à minha querida leitora Vera Thellier, é esta "estaca" que esta a impedir o surgimento de uma nova ordem e de um novo homem . Um forte abraço

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Escrito por Gonçalo de Assis às 11:18


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