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Às vezes basta um detalhe ...

Terça-feira, 26.11.13

 

Um certo dia houve um julgamento complicado . Tratava-se de uma mulher, cujas provas da acusação a apontavam como culpada do homicídio de um homem . Na verdade o corpo do presumível morto nunca tinha aparecido, mas as provas de que a acusação dispunha, faziam crer a todos , que Teresa , assim era o nome da arguida , havia efectivamente assassinado o seu amante e posteriormente feito desaparecer o corpo . O advogado de defesa da arguida tentava como podia , anular as fortes evidencias que apontavam a sua constituinte como assassina. Tendo praticado  teatro e sabendo como mexer com as emoções de quem assistia e também claro do Delegado do MP e do Juiz , resolveu arriscar o ultimo trunfo que conseguia arranjar . Era ainda muito novo, mas sabia o que valia e retomando a palavra , disse: - Meritíssimo Juiz , antes de terminar , quero dizer que guardei para o final , algo que pode mudar o rumo deste julgamento .

Todos os rostos se viraram para o jovem advogado, que satisfeito viu que todos estavam suspensos das suas palavras .

- Dentro de um minuto - continuou o advogado olhando para o relógio - a pessoa que durante todo este processo se julgou estar morta e pior que isso , ter sido assassinada pela minha cliente, vai entrar por aquela porta .

Dizendo isto indicou a porta , por onde tinham entrado ao longo da tarde , todas as testemunhas .

No tribunal fez-se um profundo silêncio e todos , incluindo o Juiz, olharam a porta de modo inegavelmente expectante .

Lentamente o minuto passou e ninguém cruzou aquela porta . Os olhares de todos , caíram de forma inquisidora sobre o advogado .

Então o advogado falou :- Eu disse que o presumível assassinado ia entrar por aquela porta e TODOS, incluindo o Meritíssimo Juiz , olharam durante um minuto com a maior expectativa . Deduzo então , que ninguém nesta sala tem a certeza de que o namorado da minha cliente morreu , sendo assim , todas as provas que parecem  incriminá-la , afinal não têm o peso suficiente para deixar na alma de cada um uma certeza válida da sua culpabilidade.

O Juiz retirou-se da sala , para ponderar a sua decisão final . Não passou muito tempo e ele voltou , de rosto sereno , calmo , tranquilo e olhando de frente o advogado , disse: - Considero a ré culpada .

O advogado olhou incrédulo para o juiz:- Mas como ? - murmurou perplexo .

- Quando o Dr. disse que a presumível vitima ia entrar por aquela porta , efectivamente todos os presentes na sala, incluindo eu , olhamos na expectativa de um desfecho feliz para esta tragédia, mas o Dr. não reparou numa coisa básica e de importância máxima , que alterou a minha decisão . Há pouco , eu disse que quando o Dr. falou , todos os presentes olharam com expectativa para aquela porta , mas na verdade um dos presentes nesta sala não olhou ... A sua cliente ...

Às vezes ser bom  advogado não basta , há que ter bons clientes também ...

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Escrito por Gonçalo de Assis às 15:42


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