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Eu queria dizer...

Terça-feira, 23.01.07

Eu queria, eu queria

tantas vezes

o meu discurso não passa disso

dessa frase

desse eu queria

com sabor a vazio

desse eu queria

que me deixa vazio

de coração tão frio

Eu queria

e a frase morre

gelada nos meus lábios

deixando o espaço

em branco

onde as emoções não ditas

morrem

nesse eu queria

cheio de nada

Ah mas eu queria tanto

queria o calor do sol

o cantar dos pássaros

os carinhos da chuva

a ternura da brisa

Ah eu queria

queria sorrisos

palmas aplausos

voar como as aves

navegar como os navios

ser livre como o vento

ah eu queria

não sentir dor

ser apenas amor

ou luz no firmamento

Queria ser anjo

queria ser luz

ter palavra sábia

que o coração alivia

ah eu queria ser nuvem

queria ser paz

Meu Deus como queria

mas como não sou

aquilo que o meu coração anseia

eu queria ser Deus

um Deus pequenino

adorado num altar

que fosse só meu

não queria

incenso nem velas

nesse meu altar

queria os teus olhos

alegres

felizes

só por me amar

Ah eu queria

mas essa magia

eu não sei fazer

então eu espero

num sonho acalentado

no meu coração

e os meus lábios gelados

molhados de lágrimas

com sabor a sal

matam nos meus lábios

esse verbo

que nunca consegui dizer

tão simples

singelo

e ao mesmo tempo belo

o verbo querer

e fica a lágrima solitária

que desliza no rosto

e morre na boca

ah como eu queria

eu queria, como queria

soletrar

fazer magia

com o verbo querer

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Escrito por Gonçalo de Assis às 18:12


1 comentário

De Milú a 23.01.2007 às 22:45

Gonçalo:

É irresistível não comentar... a doçura das palavras, o desejo latente e os teus sentidos acordados fizeram deste texto um pedaço de amor. Tens o poder de escrever palavras simples que, como que por magia, são magníficas em frases carregadas de sensualidade! Mais um momento libidinoso do teu querer em explorar toques e sabores. Um querer tão intenso que transforma sonhos em realidade. Entre a vontade de alcançar e o prazer do caminho percorrido... onde está o perfeito equilíbrio? Em ti, certamente!

Um beijinho de saudade

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