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Assim se fala , quando se tem coragem

Quinta-feira, 23.07.15

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Entrevista a Gonçalo de Assis , destinada a divulgação numa revista Maçónica de leitura exclusiva dos membros. Para que outros leitores possam acompanhar , aqui fica a transcrição dos trechos possíveis.

Gonçalo de Assis , um homem simpático , de trato fácil e gargalhada contagiante , aqui ficam algumas das perguntas e respostas obtidas , nesta tarde calma, onde a conversa fluiu de forma simples e simpática.

P- Como encara as novas engrenagens da G.O.L?

R- Encaro de forma positiva , com mais responsabilidade , claro , mas tendo a certeza de que faço o melhor que posso e sei.

P- É fácil ser Maçom em Portugal , neste momento?

R- Como em tudo na vida , ser Maçom, mas Maçom a sério , não dessas Lojas que se auto-proclamam, tem facetas fáceis e outras mais complexas , requer no entanto uma grande entrega.

P- O Senhor é Católico?

R- Não , não sou Católico , nem tenho laços com qualquer religião conhecida.

P- Ateu?

R- Não , o Ateu é alguém que não acredita em nada , eu acredito profundamente em Deus , não acredito é nas religiões que dizem ama-lo. Até hoje não encontro o Deus em que creio retratado em nenhuma dessas religiões. Atrever-me-ei a afirmar que todas elas precisam de GPS, porque há muito perderam o caminho para um Deus que nem conhecem.

P- A maçonaria é selectiva?

R- É e não é , depende do que se entenda por ser selectiva , qualquer aspirante a Maçom tem que ter um carácter idóneo e conceitos de honra e de dignidade muito acentuados.

P- Qualquer um pode ser candidato à Maçonaria?

R- Não , a Maçonaria é que procura aqueles que acha dignos de a integrar.

P- Se alguém quiser ser Maçom , pode candidatar-se a uma Loja?

R - Embora seja um procedimento irregular , ninguém pode tolher a liberdade individual de cada um. Obviamente que podem sempre tentar candidatar-se.

P- Resposta que não responde... Quem o fizer pode ter a esperança de ser admitido?

R - Não. Como disse há pouco a Maçonaria escolhe os seus, podemos receber por indicação , mas por indicação de quem nos pertence , não por indicação própria ou a pedido.

P - Desde a indicação até à admissão propriamente dita , é um processo rápido ou longo?

R- Desde o nosso convite ou aceitação, o processo é longo , muito longo, aqui não se entra com pressas. Nem com atropelos.

P- Existe um tempo médio?

R - Existe, cerca de dois anos.

P - Diz-se que mesmo no tempo que dura a aceitação , o candidato está "protegido" pela organização , esse facto é verdadeiro?

R - Isso faz parte de trâmites internos , de um processo sigiloso e como tal não posso divulgar nada do que o envolve.

P - É verdade que a Maçonaria e a politica caminham lado a lado?

R - Claro que não , nem sempre a politica em gestão está dentro dos nossos parâmetros e das nossas ideias e ideais.

P - A maçonaria tem cor politica?

R - Nenhuma, para nós contam apenas os actos , a honestidade , a humanidade , e isso não tem cor.

P - Diz-se que a Maçonaria tece as suas teias politicas , que é um poder dentro do poder , que se movimenta para colocar os vossos membros em lugares de chefia. 

R - Não  é verdade. Existem Maçons de todas as condições e cores politicas , assim como de todos os credos e religiões. Acontece por vezes , que um Maçom que é politico ascende por mérito próprio a cargos de chefia. Mas não ascende por ser Maçom, ascende porque luta , porque faz parte da sua vida , não somos agência de empregos para quadros superiores , nem a Maçonaria é para conchavos. 

P - No entanto a Maçonaria é constituída pela elite , confirma?

R - É constituída por homens de boa vontade , apenas e só.

P- A sua vida particular é afectada pela sua vida profissional e pela sua ligação à Maçonaria de uma forma tão vincada?

R - De facto a minha vida pessoal e familiar é a que mais sofre pelas minhas limitações de tempo e de todas as que me são inerentes.

P - Como encara a sua família todas essas limitações?

R - Com muita paciência e sobretudo com muito amor.

P - Os Maçons também amam , como qualquer outro homem , é fácil para as vossas namoradas , noivas e esposas , essa vossa entrega a uma causa que nalguns casos as exclui?

R- No caso da G.O.L que não aceita mulheres como membros efectivos , exclui parcialmente, porque cada Maçom certamente se torna melhor namorado , noivo ou marido. Se é fácil para elas , bem teria que lhes perguntar. No meu caso pessoal , não é e nem foi fácil. Devido a assuntos particulares, tenho tido algumas limitações que causam transtorno na minha vida amorosa. Tenho a sorte de ter uma mulher espectacular na minha vida , que apesar de tudo me apoia, compreende, ama e me aceita momentaneamente com todas as minhas limitações que são muitas.

P - As suas limitações prendem-se com estudo de ascensão?

R - Exactamente.

P - O apoio familiar é muito importante , como depreendo.

R - Muito mesmo , para mim o apoio da mulher que amo tem sido um ponto fulcral. Precisa-se de chão , de equilíbrio, de amparo e nada melhor que alguém que nos ama para nos dar tudo isso.

P - Existem diferenças ou desavenças entre a G.O.L e a Regular?

R - Sendo ambas organizações irmãs que lutam pela mesma finalidade , seria um contra-senso crer ou alimentar tal ideia. Isso de facto não existe.

P - Como encara a actualidade politica Portuguesa?

R - Com tristeza.

P - Estranho essa resposta , uma vez que o Senhor é conhecidamente apoiante do PSD que neste momento é responsável pela gestão Governamental.

R - Eu sou de facto PSD , nunca o neguei. Não posso deixar de reconhecer que, com o verdadeiro caos em que as nossas finanças se encontravam, este executivo nada mais podia fazer. Reconheço a honestidade de Passos Coelho e correndo o risco de ofender quem não entende de Gestão e só vê os cortes , elogio todo o trabalho feito pelo actual executivo. Apoio obviamente a continuidade de Passos Coelho à frente do nosso Governo. Não posso esquecer no entanto , que a nossa realidade é também muitos Portugueses que perderam os empregos , as suas casas , muitos sem abrigo , filas para obter um direito básico que é a alimentação , as crianças com fome, os idosos sem condições mínimas e o número elevado de jovens que abandonaram o País , não por vontade , mas porque desgraçadamente aqui nada havia onde pudessem dar caminho às suas vidas. Desgraçado do País que perde os seus jovens.

P - Esta situação que cita , é no entanto algo que ocorreu na actual Legislatura.

R - Isso é mera demagogia. Nenhum , mas nenhum Governante mesmo , fosse ele de que quadrante politico fosse, poderia nas actuais circunstâncias fazer diferente e se disser que pode, ou mente ou não tem noção da realidade do País.

P - Como encara a realidade na Grécia?

R - Encaro a Grécia como o "único" País da Zona Euro que tem tomates para enfrentar uma realidade surreal. Porque nenhum País neste momento tem condições de fazer face e de liquidar as suas dívidas, todas as dívidas são montanhas que apesar de todos os sacrifícios são inultrapassáveis. Nem a Grécia , nem Portugal , nem nenhum dos outros Países pode fazer face ao seu défice. E não entendo , não aceito , que o BE e que no fim de contas os próprios Países que constituem o bloco do Euro , emprestem a um País do mesmo bloco , dinheiro que cobram a juros pouco generosos. Quando foi para "comprar" toda a nossa economia , nomeadamente produção de leite , azeite, vinho, cereais e pescado, o dinheiro foi-nos dado de mão beijada. Hoje que somos e sofremos o fruto de uma politica destrutiva , mal gerida e completamente vendida por quem não teve a mínima capacidade de pensar no Futuro de Portugal, somos obrigados a pagar juros e a devolver todo o dinheiro que nos foi emprestado. Que apoio é este entre Países cuja economia devia ser comum e cujos interesses também o deveriam ser? Quem deu à Alemanha a procuração para mandar e desmandar nos Países membros?

P - Acredita na permanência da Grécia na Comunidade Europeia?

R - Não acredito e creio que nem Portugal conseguirá lá continuar. E sinceramente não sei se lamento. Se não houver um travão a este estado de Gestão Europeia , um dia destes alguns Países serão literalmente escravos da Alemanha , do FMI e do BE.

P - É impressão minha ou não defende a permanência de Portugal na Comunidade Europeia?

R - Eu não gosto de formas de Gestão politica e financeira, que faça de uns filhos e de outros enteados , ou de uns senhores e de outros , escravos. Arrepia-me quando uma meia dúzia a si mesmo se outorga o direito de comandar a vida de milhões. Enoja-me quando ao abrigo de um empréstimo , essa meia dúzia nos tire a soberania , faça de nós espantalhos e quando uma louca , que outro nome não tem , vem apelar ao corte no salário mínimo em Portugal e acusa os idosos de viverem tempo a mais e assim desequilibrarem as contas da Segurança Social. Que tal colocar essa senhora a viver com os 515 euros mensais, que é o vergonhoso salário mínimo em Portugal? Estamos a atingir um estado de demência e de desumanização que assusta.

P- Deve depreender-se então que é contra a comunidade Europeia?

R - Contra a comunidade , se for gerida de acordo com o que o próprio nome indica , não , de forma alguma. Comunidade indica um bem comum , mas contra esta gestão de ganância , de esmagamento dos mais frágeis , sou , sem dúvida.

P- Culpa a Comunidade Europeia pela crise económica Portuguesa?

R - Culpo os governantes de todas as cores politicas que desde o 25 de Abril nos venderam , alienaram as nossas fontes de economia , por um dinheiro fácil , que traíram um povo com um passado histórico de honradez e luta. Uma politica de ganância mentecapta e cega que nos conduziu a este beco sem saída.

P - Não defende então o actual modelo Europeu?

R - Não , não defendo e espero que caia e que no seu lugar os homens saibam governar e criar um novo modelo de comunidade , que seja efectivamente de comunhão e de partilha. De partilha responsável de direitos e deveres , de perdas e ganhos. Onde não existam os ricos e os pobres , porque com diferenças não há comunhão.

P - Acredita que esse modelo pode surgir?

R - Tenho a certeza que sim , a corda está no limite e como tudo o que é muito esticado , certamente quebrará.

E aqui ficam as ideias e as respostas de um homem que é frontal e que apesar de se preservar da curiosidade pública , caminha de forma segura para construir algo que possa efectivamente mudar alguns dos rumos que hoje se seguem.

O resto da entrevista estará brevemente na nossa revista mensal.

Perguntas a cargo de José Augusto Coimbra - G.O.L.

Edição de texto e imagem : Pedro Luz

 

 

 

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Escrito por Gonçalo de Assis às 15:29


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