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Uma Noite Mulher

Terça-feira, 01.09.15

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 A noite passa devagar , envolta na névoa de um sonho que está ali, metade de uma vida que se perde na outra metade oculta de nós mesmos. A fantasia suave , prata de uma alma maior , que cresce na alma da gente , quando se sente que o que nos abraça é maior. A noite traz  com ela o cansaço , a verdade , o braço que nos esmaga a fantasia num amplexo de realidade e vai ficando viva em nós , uma saudade atroz , daquilo que já foi verdade. Cresce a noite da alma , aquele que se perde e que canta nas ruelas de uma avenida esquecida , alma presa à Liberdade de uma sábia saudade , que é Divina profetiza . De que é feita a saudade , pergunta o vento que passa , à lágrima que teima em rolar, mas nem a lágrima sabe , porque se cai de saudade , quem e essa na verdade a força que a faz rolar . O tempo passa quieto , num passo seguramente incerto , embriagado de certezas universais , esse que esmaga a saudade e transforma em eternidade , breves momentos e ais. E porque a noite se dá , se oferece e nos esconde nos meandros da sua loucura , eu pergunto ao vento que passa , de onde lhe vem a graça , pontilhada de ternura. E o vento que acalma a noite e pede à noite que o abriga , promessas de bem querer , mas a noite é vadia , escapa-se pelas vielas , vive num corpo de mulher . A noite pisa a calçada , senta-se ao fundo da escada , vendo o homem que passa , avaliando o seu andar , o seu corpo , o seu porte , porque a noite é como a morte , arrebata o que deseja . A noite em coração de mulher , geme o desejo contido numa alma insaciada , incendiada de paixão , onde o vento frio que passa , a olha achando graça e lhe arranca fugaz beijo . A noite ébria de desejo , abre as longas pernas sem pejo , de vontade seduzida , a vida corre-lhe nas veias e sente nas artérias o fogo intenso do desejo , que o vento boémio como a alegria , se reveste de fantasia e a agarra no seu seio. A noite geme o desejo , perde-se na lascívia das madrugadas , entoa sem vergonha ou pudor os seus ais de lascívia incontida , enquanto o homem que passa , com alma de vento feroz , lhe levanta o vestido longo , apalpa a essência da noite que lateja na sua mão , e num amplexo de paixão  a possui sem mais delongas, pernas cruzando pernas , num mar de intensidade , em que a noite cede e o seu corpo amolece , nos braços do vento matreiro , que numa ultima investida se multiplica em vida , gozando no seu imenso seio . E a noite se perde , e a saudade nasce , e o vento se vai , e a lágrima rola , ergue-se a mão do profeta e deixa a história pendente , e espera paciente, que a escreva algum poeta.

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Escrito por Gonçalo de Assis às 01:39


1 comentário

De Valquiria a 06.09.2015 às 14:45

Bom dia Gonçalo!O poema uma noite mulher,você soube dar suavidade e um toque  extra de charme.Beijos com carinho!!!

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